Bahiagás distribui gás de Itaparica
Empresa de economia mista assina primeiro contrato do combustível produzido em campo maduro no país
A Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás), empresa de economia mista controlada pelo Governo do Estado, assina, nesta segunda-feira, o primeiro contrato de gás natural de campo maduro no Brasil.
A distribuidora vai firmar, com o consórcio ERG Petróleo e Gás, acordo de fornecimento de até 35 mil metros cúbicos por dia de gás proveniente do campo de Morro do Barro, localizado na Ilha de Itaparica, município de Vera Cruz.
É a primeira vez que o GN produzido em um campo com acumulações marginais será comercializado no país. O contrato com a Bahiagás, de valor estimado em R$ 58 milhões, vale por 10 anos e o primeiro fornecimento deverá ocorrer em até 90 dias da assinatura do contrato. No primeiro ano, o volume fornecido será de cerca de 7 milhões de metros cúbicos, ultrapassando 10 milhões de metros cúbicos a partir do segundo ano.
Crescimento –
O projeto da Bahiagás é distribuir o gás por meio de distribuidores de GNC (Gás Natural Comprimido), modal conhecido como gasoduto virtual (carretas feixe) que atende basicamente o segmento automotivo (postos de combustíveis que comercializam Gás Natural Veicular). Pelo acordo, a companhia se encarrega da medição, odorização do gás e do carregamento das carretas.Com o investimento, a empresa atinge metas importantes para o seu crescimento e para o desenvolvimento da Bahia, por possibilitar o atendimento a mercados sem infra-estrutura implantada (rede de gasodutos), ampliando a oferta de gás natural no estado e contribuindo para o desenvolvimento de novos mercados (Santo Antônio de Jesus, Nazaré, Valença, Amargosa, Itaparica, dentre outros municípios vizinhos ao campo).
O conceito de campo marginal em exploração e produção de petróleo e gás natural está fortemente ligado a resultados econômicos. Campo marginal de gás natural é definido como o campo que produz predominantemente gás não associado, cuja produção não ultrapasse 70 mil m3/dia e cuja última previsão de produção aprovada pela ANP também não ultrapasse esse limite.
No Brasil, cerca de 50% dos campos são marginais e representam cerca de 1% das reservas provadas do país, podendo tornar-se um mercado atraente para as companhias petrolíferas independentes de pequeno e médio portes.
Histórico –
O campo de Morro do Barro foi descoberto em 1962, na Ilha de Itaparica. Entrou em produção em meados 1964 e produziu até 1988. Depois, foi devolvido para a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).A área do antigo campo é de 4,7 km² e nela foram perfurados 11 poços. Os volumes originais in situ de óleo e gás, estimados pelo antigo concessionário, são da ordem de 184 mil m³ (1,16 milhão barris) e 200 milhões m³, respectivamente.
O campo de Morro do Barro foi arrematado em consórcio pelas empresas baianas Panergy Consultoria e Participações Ltda. e ERG Negócios e Participações Ltda. na sétima rodada de Licitações de Blocos, realizada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em outubro de 2005, quando também foram ofertadas 17 áreas inativas com acumulações marginais, de petróleo e gás natural.
As atividades de avaliação e intervenção nos poços estão em andamento, com resultados positivos obtidos em cinco dos 11 existentes no campo, aptos a produzir e fornecer gás natural. A previsão de investimento total do consórcio na fase de avaliação é de R$ 11 milhões. O campo de Morro do Barro está situado na Bacia de Camamu, no sudoeste da Ilha de Itaparica, no município de Vera Cruz, Bahia.
Exploração de campos marginais
Em 1998, a Petrobras abriu mão de 62 campos de petróleo e gás maduros, por terem sido considerados antieconômicos, devolvendo-os à gestão da ANP. Naquele momento, acontecia a abertura do monopólio petrolífero no Brasil.
A maior parte destes campos está na Bahia, mas também se espalham por Rio Grande do Norte/Ceará, Sergipe/Alagoas e no Pará/Maranhão. A ANP procurou retomar suas atividades com o objetivo de contribuir para a geração de empregos, contratando uma universidade para avaliá-los e determinar seu real valor econômico.
Essas áreas representam oportunidades para empresas de pequeno e médio portes, por exigirem menor investimento. Ao colocá-las em licitação, a ANP tinha como objetivo criar a categoria dos pequenos e médios produtores do mercado de petróleo e gás, feito inédito no Brasil.