Pequenos buscam benefícios
A abertura do mercado internacional para o café orgânico produzido pela agricultura familiar e incentivos para a cultura da mandioca, com recursos de R$ 100 milhões, marcaram o primeiro semestre agrícola no sudoeste da Bahia.
Também, promoveram a retomada de atividades há muito abandonadas, como o plantio de mamona e de fumo, e estimularam a mão-de-obra juvenil na zona rural, na avicultura e na floricultura.
Apesar do avanço, produtores, governo e dirigentes sindicais entendem que falta algo que beneficie essas novas famílias no campo. A situação levou a um debate, na semana passada, em Vitória da Conquista, das políticas públicas para a agricultura familiar, com participação de 600 pessoas, de 28 municípios. Foram discutidos comercialização, implantação de agroindústrias e convivência com a seca e, por extensão, o biodiesel, embora sequer haja estudos de implantação do programa na região.
Produtores entendem que o município não está pronto para produzir matéria-prima para o biodiesel, apesar da tradição no cultivo de mamona. “Para nos habilitarmos, deveríamos ter pelo menos uma máquina esmagadora em funcionamento e culturas em andamento”, destacou o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conquista, Érico Soares.
“Estamos nos capacitando, recebendo sementes e participando de seminários para entrar na produção em 2008, pois será uma boa opção para o semiaacute;rido”, emendou.
A redução da colheita em culturas de subsistência, como feijão e milho – em torno de 30% – não desanimou os produtores, mas, segundo Soares, abalou a produção de café, cuja perda foi maior de janeiro a julho. “Não choveu na região produtora e muitos pequenos produtores sentiram a perda”.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vitória da Conquista, o município, com 300 mil habitantes, tem cerca de 100 mil pessoas com alguma atividade agrícola, em 240 localidades. Desse número, 12 mil famílias – cerca de 60 mil pessoas – vivem da agricultura familiar. É o caso, por exemplo, da lavradora Durvalina Gonçalves Paixão, 60 anos, na Fazenda Amaralina, com seis filhos, na lida desde os 12 anos de idade.
DEBATES – Os debates da semana passada, de 23 a 25, durante a V Semana da Agricultura Familiar e a I Semana de Agricultura Familiar do Território da Região, foram realizados pela Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Rural, com apoio da secretaria estadual da Agricultura (Seagri).
O secretário municipal de Agricultura, Miro Conceição, destacou que promoções desse tipo têm como objetivo promover debate em busca de alternativas sociais, econômicas, ambientais e culturais para a agricultura familiar de Vitória da Conquista e região.
“Nosso interesse é permitir que a agricultura familiar de Conquista e região tenha recursos para habitação, para apoio a assentamentos, áreas de quilombolas, biodiesel e agroindustrialização. Em outras palavras, é pensar a agricultura familiar como um todo”.
Os debatedores discutiram também em Vitória da Conquista outros assuntos, como desenvolvimento territorial e agroecologia, em palestras, debates, exposição de temas e produtos que valorizam e divulgam as iniciativas locais e regionais. Simultaneamente, foi realizada, no dia 24, a I Feira da Agricultura Familiar do Território.
JUSCELINO SOUZA