Bahia quer apoiar pesca artesanal
A desestruturação da cadeia produtiva e a histórica falta de investimentos no setor impedem o Brasil de explorar todo seu potencial pesqueiro. Reunidos no 1º Seminário Nacional da Pesca Artesanal e 13º Encontro dos Pescadores no Estado da Bahia, que acontece até amanhã, no Centro de Convenções, cerca de 1,2 mil pescadores esperam finalmente assistir à mudança desta realidade, diante dos programas e ações anunciados durante o evento, que teve a presença do ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap), Altemir Gregolin, e do governador da Bahia, Jaques Wagner.
“É preciso interferir no conjunto da cadeia produtiva, a partir da organização da produção e da estruturação da pesca artesanal“, disse o ministro, ressaltando que a pesca não é só importante do ponto de vista social, mas é um setor estratégico para a economia. O Brasil produz anualmente 1 milhão de toneladas de pescado (27º lugar no ranking mundial), incluindo captura e criação em cativeiro, que geram um PIB da ordem de R$ 5 bilhões. O setor pesqueiro emprega cerca de 3,5 milhões de trabalhadores no País.
O presidente da Federação dos Pescadores e Aqüicultores da Bahia, José Carlos Aleluia, se diz esperançoso quanto ao futuro, mas lamentou a demora na implementação de ações fundamentais para o desenvolvimento da pesca artesanal, a exemplo do sucateamento da frota, falta de financiamento e de capacitação profissional, estrutura estrutura de comercialização e apoio à atividade como um todo. “Ainda não há o que comemorar: falta tudo, mas sobram vontade e espírito de luta“, disse. Na abertura do encontro, Aleluia sugeriu a criação de uma secretaria estadual de pesca e aqüicultura e a construção de um terminal pesqueiro em Salvador.
Defendeu ainda a participação dos pescadores na elaboração das políticas para o setor.
SALÁRIO MÍNIMO – Atenta à fala das autoridades, mas reclamando por não ter conseguido lugar para se sentar no auditório lotado, dona Maria Rosa Santos Nascimento, 36 anos, tentava imaginar quando as ações do governo poderão mudar, de fato, a situação dos pescadores. Marisqueira desde criança, em Valença, ela contou que consegue “tirar“ cerca de R$ 100 por mês com a venda do produto. “Isso quando a maré tá boa, porque tem mês que eu só faço R$ 70“, declarou. Mãe de dois filhos, a marisqueira contou que seu sonho é garantir pelo menos um salário mínimo para o sustento da família. “A gente passa muita dificuldade. É triste ter que trabalhar tanto, debaixo do sol, e não conseguir às vezes nem o dinheiro da comida“.
Para o governador JaquesWagner, é preciso fortalecer a pesca artesanal na Bahia, oferecendo boas condições de trabalho e tecnologia aos pescadores. “Vamos trabalhar para trazer para a Bahia um porto pesqueiro“, disse. Para tanto, anunciou a vinda de um grupo de apoio técnico da Espanha, onde se situa o Porto de Vigo, um dos mais bem estruturados do mundo.
Falou ainda sobre o fenômeno da maré vermelha, que atingiu recentemente a Baía de Todos os Santos, prejudicando a atividade de pescadores e marisqueiras. “O governo está investindo R$ 133 milhões para sanear as águas da baía e evitar que o problema traga seqüelas para o consumo de peixes e mariscos, e também vamos realizar uma campanha de esclarecimento à população para que a atividade volte à sua normalidade“, afirmou. O encontro teve ainda a presença do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.
LUCIANA AMORIM