Campo de gás volta a operar

31/07/2007

Campo de gás volta a operar

Após 17 anos fora de atividade, o campo do Morro do Barro, localizado na Ilha de Itaparica, no município de Vera Cruz (BA), vai voltar a fornecer gás natural. A perspectiva é que, a partir de outubro, cerca de 10 mil metros cúbicos diários do combustível sejam fornecidos à matriz industrial baiana a partir da unidade, mas a meta é alcançar cerca de 35 mil metros cúbicos diários a partir do início do ano que vem. Considerando a produção atual do Estado, que chega a 3,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia, a estrutura de Morro do Barro pode parecer ínfima, mas, nos cálculos da extração do energético na unidade, entra um peso simbólico: é a primeira vez que a produção de gás de um campo com acumulações marginais é comercializada no País.


O contrato de extração do combustível foi firmado ontem, na Governadoria, com o aval do governador Jaques Wagner, entre a Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás) e o consórcio ERG Petróleo e Gás, liderado pela Panergy Participações em Negócios com Energia.


A Agência Nacional do Petróleo (ANP) trabalha com a expectativa de fomentar a produção nos campos maduros, que somam 157 em todo País, sendo que pelo menos 140 se encontram na Bahia.
O consórcio ERG Petróleo e gás deve investir, ao longo de 10 anos de vigência de contrato, cerca de R$ 58 milhões, na extração de gás natural em Morro do Barro. De acordo com o diretor da Panergy, Normando Paes, pelo menos R$ 11 milhões do montante deverá ser investido até o final do ano.


O diretor-presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães, explica que o gás produzido em Morro do Barro deverá ser escoado para as regiões de Valença, Amargosa e Santo Antônio de Jesus. Magalhães acrescenta que o gás será transportado por caminhões.

Mercado de exploração é concentrado

Os campos marginais não são do interesse das grandes produtoras de petróleo e gás, acostumadas a medir a produção em milhões de metros cúbicos diários, contra o teto de 70 mil metros cúbicos diários obtidos pelos campos marginais – assim classificados por estarem fora do foco das grandes operadoras do setor, conforme explica Haroldo Lima, diretor-geral da ANP.

“Percebemos que nosso mercado é centrado em grandes empresas, o que não corresponde à experiência internacional”, avalia Lima. O executivo citou como exemplo os EUA, país no qual pelo menos metade da produção de petróleo e gás se concentra nas mãos de sete mil pequenos e médios pro dutores.

O cronograma para que pequenas e médias empresas entrem no setor de exploração dos campos marginais será determinado em função da participação nos leilões de concessão de exploração. A 3ª Rodada de Licitações de Áreas Inativas com Acumulações Marginais deve ser realizado no ano que vem em Salvador, conforme antecipou o diretor-geral da ANP.

Na ocasião, serão ofertadas pelo menos 20 áreas para a exploração de petróleo e gás natural – a maioria em território baiano. No leilão realizado no ano passado, foram ofertadas 14 áreas, no Maranhão, Rio Grande do Norte e Espírito Santo. (LS)

Programa oferece exames de visão

A descentralização do atendimento aos pescadores baianos e a disponibilização de atendimento oftalmológico gratuito e de três mil pares de óculos àqueles que apresentam problemas de visão e que atuam na região do Rio São Francisco foram anunciadas ontem pelo ministro Altemir Gregolin durante o seminário, no Centro de Convenções.

Segundo ele, um acordo de cooperação foi assinado com o Governo da Bahia, no sentido de agilizar serviços importantes à categoria, que poderá contar não só com a sede da Bahia Pesca estatal baiana responsável pelo fomento à atividade mas com todos os 18 escritórios do interior. “Isso vai ajudar muito na reorganização do segmento, pois os pescadores não precisarão se deslocar de sua região para fazer renovação da carteira, registrar sua embarcação, obter licença, entre tantos outros serviços“, disse.

Sobre o atendimento oftalmológico, Gregolin disse que no primeiro momento será oferecido a alunos do programa Pescando Letras que vivem às margens do Rio São Francisco em quatro municípios do estado – Pilão Arcado, Barra, Xique-Xique e Remanso. Segundo o ministro, na região do Médio São Francisco, há mais de dois mil inscritos no programa.

Resultado de parceria entre os governos federal e da Bahia, o atendimento oftalmológico contará com quatro médicos, que farão a avaliação dos alunos no período de 27 de agosto a 27 de setembro. Os problemas de visão, causados pela exposição constante ao reflexo da luz do sol na água, dificultam a alfabetização dos pescadores e são a maior causa de evasão. O ministro disse que o governo tem interesse em expandir o atendimento oftalmológico a pescadores de outros estados, mas é preciso firmar parcerias com outros governos. Segundo ele, o programa Pescando Letras já alfabetizou, em quatro anos, mais de cem mil pescadores

LUIZ SOUZA