Seminário de agronegócio auxilia e incentiva pequenos e médios produtores

31/07/2007

Seminário de agronegócio auxilia e incentiva pequenos e médios produtores

A Bahia ocupa o oitavo lugar no ranking de exportadores do agronegócio brasileiro, representa 41% do segmento na Região Nordeste e vai sediar o X Seminário de Agronegócio para Exportação AgroEx, no dia 23 de agosto, em Barreiras. O evento vai discutir, auxiliar e incentivar a exportação, que no estado, de janeiro a maio deste ano, registrou US$ 746,9 milhões, ou seja, 3,44% do total das exportações do Brasil. No mesmo período do ano passado, foram exportados US$ 579,1 milhões, com uma variação positiva de 28,98%.

Em 2006, a Bahia exportou US$ 1,8 bilhão, participando com 3,65% das exportações do país. Para este ano, o Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo) acredita ser provável superar a marca dos US$ 2 bilhões em exportações agrícolas.

A desinformação é uma das principais dificuldades dos pequenos e médios produtores para exportar, de acordo com o analista de comércio exterior do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Mapa), Flávio Tadeu. Para o chefe do Serviço de Políticas e Desenvolvimento Agropecuário da Superintendência Federal da Agricultura da Bahia (SFA), Johil Cruz, coordenador da comissão estadual do X AgroEx, "os grandes produtores já sabem o caminho de como exportar. Precisa-se ensinar aos pequenos e médios produtores como levar os seus produtos para o mercado internacional".

O AgroEx é uma das ações da Secretaria de Relações Internacionais (SRI) do Mapa e traz algumas dicas para os pequenos e médios produtores rurais de como se prepararem se tornar mais aptos a exporta. Uma delas é a organização da produção para exportação através de condomínios rurais e, posteriormente, consórcios de exportação. Ele disse que o empresário do agronegócio tem dificuldade de produzir em grande escala para atender ao mercado externo e os condomínios rurais podem ser uma saída para o problema.

A união dos produtores rurais em sistemas de rede cooperativas, condomínios, associações ou consórcio) traz outros benefícios, como a facilidade em adquirir insumos a possibilidade de transferir tecnologia, uniformizando a produção. Para o gerente de informações do Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), Arthur Cruz, o fortalecimento dos mecanismos de cooperação entre as pequenas e médias empresas é mais uma estratégia relevante à internacionalização. "As unidades engajadas em algum tipo de arranjo associativista têm maiores possibilidades de sobrevida e expansão", comentou Cruz.

Incentivar, organizar, apoiar e promover a comercialização dos produtos dos pequenos e médios fazendeiros, através de sistemas de redes nos mercados interno e externo, é um dos objetivos da Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), através do Sistema Estadual de Comercialização da Agricultura Familiar (Secaf ). O sistema tem como meta beneficiar cerca de cinco mil famílias por cada território de identificação, que são 26, totalizando 130 mil famílias a serem beneficiadas.

Dentro do programa, visando à exportação, foi criado no início deste ano a Câmara Técnica de Comercialização da Agricultura Familiar, que reúne órgãos do governo, entidades e associações, dando todas as orientações para os produtores se unirem e se organizarem, atendendo às exigências do mercado internacional (tarifárias, de sanidade, de qualidade e regularidade).

Os destaques das exportações do agronegócio baiano em 2006 foram os segmentos de papel e celulose, algodão e fibras têxteis, couros e peles, frutas e café. O segmento de papel e celulose é o principal responsável pelo crescimento das exportações do agronegócio e registrou uma receita de US$ 715,3 milhões e um aumento de 65% em relação ao ano de 2005. O complexo de soja fica na viceliderança das exportações, representando 15% das exportações do setor, segundo a Seagri, mesmo com uma redução de receita de 28,3% em relação aos US$ 377,1 milhões de 2005. No ano passado, a Bahia exportou US$270 milhões.

Os principais destinos de exportações dos produtos baianos divulgados pelo Promo são EUA (US$ 1,23 bilhão), Argentina (US$ 789,4 milhões), México (US$ 586,3 milhões), Bahamas (US$ 518,6 milhões), Países Baixos (US$ 471,2 milhões), Bélgica (US$ 333,4 milhões), China (US$ 330 milhões), Itália (US$ 313,6 milhões), Alemanha (US$ 261,1 milhões) e Venezuela (US$ 165,6 milhões). Além de papel e celulose, algodão e fibras têxteis, couros e peles, frutas e café, o gerente de informações, Arthur Cruz, disse que o etanol, além da cachaça, derivados da fruta, o sisal, chocolate e óleos vegetais têm grande potencial de exportação e que poderiam ser mais bem explorados.

Caminhos da exportação

O "passo a passo das exportações do agronegócio" é uma das ações do Núcleo de Integração para Exportação, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que está em fase de implementação e consiste na elaboração de manuais que reúnam os requisitos para a exportação de produtos do agronegócio. É no site www.desenvolvimento.gov.br, no link "Aprendendo a exportar", que os produtores vão encontrar todas as informações necessárias para comercializar seus produtos no mercado internacional.

O site tem informações sobre o porquê de exportar, o planejamento da exportação, como exportar – os documentos necessários para o encaminhamento das exportações; as normas e os procedimentos de logística, de distribuição e para melhorias da qualidade dos produtos; e as indicações dos agentes governamentais e parceiros envolvidos na atividade, como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Agência de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

No estado, o Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo) é também um dos parceiros para a melhoria do desempenho exportador das pequenas e médias empresas nas estratégias de internacionalização da economia baiana. Os programas do Promo visam preferencialmente à redução de custos gerados por problemas burocráticos e de logística na exportação; a promoção comercial através de participação consorciada em feiras e em rodadas de negócios, além da capacitação empresarial, indispensável ante o desconhecimento do funcionamento dos mercados externos, um dos maiores empecilhos da atividade exportadora.

“Precisa-se ensinar aos pequenos e médios produtores como levar os seus produtos para o mercado internacional”

AgroEx cultiva conhecimento

O X Seminário do Agronegócio para Exportação (AgroEx) vai discutir temas como os desafios para as exportações, financiamento para a integração de negócios, valorização do produto com uso de indicação geográfica e marcas coletivas na agropecuária.

Haverá palestras, apresentação de cases de sucesso, como o da tilápia no Baixo Sul e da manga em Juazeiro, e debates. O evento pretende reunir cerca de 500 pessoas, entre produtores, exportadores, agroindustriais, representantes de instituições, associações, cooperativas e sindicatos.

O AgroEx é realizado em todo o Brasil. Na Bahia, o evento é coordenado pela Superintendência Federal da Agricultura da Bahia (SFA) em parceria com a Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb), a Prefeitura Municipal de Barreiras, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), a Organização das Cooperativas do Estado da Bahia (Oceb), o Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste.