"Cana não vai invadir florestas"
Há uma campanha contra o etanol brasileiro, diz Jank
O presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, reafirmou hoje que a cultura não vai invadir áreas de florestas da Amazônia e do Cerrado. Jank participou de uma mesa redonda sobre energia na Mostra Socioambiental da Fiesp em São Paulo.
"Não somos favoráveis à entrada da cana em áreas de preservação da Amazônia. Hoje existem duas usinas na chamada Amazônia Legal, mas elas foram instaladas em áreas já degradadas, de pastagem", disse.
Segundo Jank, existem hoje no Brasil 6 milhões de hectares com plantio de cana, o que representa 1% da área agrícola no Brasil. Em contrapartida, há 220 milhões de hectares de pastos, que podem comportar a expansão da cultura de cana-de-açúcar. Além disso, segundo ele, a expansão da cultura se dará mais por um aumento da eficiência e produtividade agrícola do que propriamente com ampliação das áreas plantadas.
"Há um desconhecimento agronômico terrível", afirmou Jank sobre as acusações de que o aumento da demanda pelo álcool brasileiro vai trazer mais devastação às áreas de florestas. Ele explicou que a cana não é viável em regiões em que chove muito, caso da Amazônia brasileira. "A cana, para produzir açúcar, precisa de seis meses de chuva e seis meses de seca. Com muita chuva, ela apenas cresce", disse.
Segundo Jank, há uma forte campanha internacional contrária ao etanol de cana brasileiro, com base em argumentos socioambientais. "Estamos lutando com a indústria do petróleo e ONGs radicais, que não aceitam diálogo. Isso sem falar nas barreiras protecionistas da Europa e Estados Unidos".
ANDREA VIALLI