Cartão-postal e selo salvam cabeça-de-frade de extinção

06/08/2007

Cartão-postal e selo salvam cabeça-de-frade de extinção

A Melocactus conoideus, planta cactácea de forma arredondada, de pequenos frutos e flores vermelhos, comum na Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, chamou a atenção de pesquisadores. Se diante de leigos ela passa despercebida, para a comunidade científica, trata-se de uma das mais expressivas descobertas dos últimos 40 anos na Bahia.


Já na lista de flora ameaçada de extinção no Brasil, pela classificação da IUCN (sigla em inglês para União Internacional para a Conservação da Natureza), aparece como EN (Endangered), que significa sob ameaça de extinção. Segundo documentos de pesquisa acadêmica, o cacto, pertencente à espécies conhecidas popularmente como coroa-de-frade ou cabeça-de-frade, não possui ocorrência em outro lugar, a não ser no município de Vitória da Conquista, sudoeste do Estado.


O gênero Melocactus, da família Cactaceae, é uma espécie de cactos descoberta no início da década de 1970 pelo explorador holandês Albert Buining. Possui 32 espécies diferentes, distribuídas pelo México, Caribe e América Central até o sudoeste da Bahia. A maioria está concentrada no Brasil, principalmente na Bahia, centro de diversidade do gênero, com 14 espécies. O Melocactus conoideus é uma delas e esteve sob ameaça de extinção, exposta ao vandalismo e à colheita indiscriminada para ornamentação.

RESPONSABILIDE – Diante desta responsabilidade ambiental, a Prefeitura de Vitória da Conquista, por decreto, reservou uma área de 115.644 metros quadrados no Parque Municipal da Serra do Periperi. Além de separar a área, protegida por fiscais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, a prefeitura confeccionou cartões-postais com estampa da cactácea, que também foi registrada em selo postal, feito na Casa da Moeda, sob encomenda dos Correios.


Essas ações culturais contaram com apoio da ONG Haueé-Dea, que ainda obteve recursos com a Sociedade Britânica de Cactos e Suculentos para cercar a área delimitada pelo decreto, de modo a evitar o desaparecimento. Antes, a planta era vendida no comércio e feiras livres por preços que variavam de R$ 1 a R$ 5. A maior procura é em dezembro, quando o cacto entra na ornamentação de presépios. "Agora, a entrada na área é permitida apenas a pesquisadores, visitantes credenciados e estudantes", adverte o secretário Ricardo Marques.


Grande parte dos cactos da área tem placas com registro de identificação, fruto de trabalhos científicos. "Nossa estratégia é chamar a atenção para a riqueza da biodiversidade biodiversidade da Serra do Periperi, que precisa ser mais estudada, por isso temos o cartão-postal e o selo, em parceria com os Correios", disse.

TRABALHOS – A importância do Melocactus conoideuspara a biodiversidade pode ser avaliada a partir de dezenas de pesquisa em torno da planta, como as de Leilane Carvalho Barreto e Débora Leonardo dos Santos, com recursos do Programa de Iniciação Científica da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).


A primeira pesquisadora defendeu o tema Avaliação da qualidade fisiológica de sementes de Melocactus conoideus buin & bred (cactacea) armazenadas em laboratórios e a segunda, Biologia de Melocactus conoideus, espécie endêmica da Serra do Periperi, Vitória da Conquista, Bahia.

JUSCELINO SOUZA