MST e Incra negociam, mas acordo fica adiado
A reunião de ontem entre o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, representantes do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), CDA (Coordenação de Desenvolvimento Agrário), Polícia Militar e a empresa Suzano Papel e Celulose com as lideranças de duas mil famílias ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) terminou sem acordo. Os trabalhadores ocupam a Fazenda Céu Azul, em Teixeira de Freitas (a 790 km de Salvador), propriedade da empresa Suzano Celulose.
Até a próxima sexta-feira, uma nova rodada de negociações deverá ocorrer em Salvador, com a presença, inclusive, do secretário estadual de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Geraldo Simões.
A ocupação da Fazenda Céu Azul teve início no dia 28 de julho. Os trabalhadores exigem que a Suzano destine, mediante negociação com o Incra e o governo da Bahia, 10 mil hectares de sua propriedade ao assentamento das duas mil famílias acampadas no local.
Na fazenda, a Suzano planta eucaliptos para abastecer sua fábrica de celulose e papel, em Mucuri. Do início da ocupação até a quinta-feira última, cerca de 100 mil pés de eucalipto foram derrubados pelos sem-terra, segundo informações de Oronildo Costa, da direção estadual do MST.
DESAPROPRIAÇÃO – No entanto, Márcio Matos, da direção nacional do movimento, disse que como o principal objetivo da reunião – a desapropriação da fazenda Céu Azul – ainda não foi alcançado, as famílias vão continuar no local. Ele assegurou que não haverá mais derrubada de árvores até que se saiba do resultado da reunião com Geraldo Simões.
O ouvidor Gercino Filho disse que solicitará à Justiça que aguarde posicionamento do Incra sobre um possível interesse em desapropriar o imóvel, antes de executar o mandado de reintegração de posse. Filho prometeu às lideranças do movimento que até a próxima quarta-feira uma equipe de agrônomos do Incra e do CDA avaliará outros 30 imóveis passíveis de desapropriação para reforma agrária. Nestes, o MST planeja assentar mais 5 mil famílias de trabalhadores.
Outra exigência dos trabalhadores é que haja mais “celeridade no encaminhamento das desapropriações que estão em curso na região”. Em relação a isso, ficou acordado que num prazo de até 15 dias, uma equipe deverá se reunir para buscar formas de agilizar o processo.
A assessoria de imprensa da Suzano Celulose reafirmou ontem que ainda não é possível calcular os prejuízos gerados pela invasão. A empresa estima que 178 hectares de florestas foram devastados pelo MST. De acordo com a Suzano, do total afetado, 48 hectares compreendem áreas de preservação permanente.
GLEISON REZENDE