Foco de aftosa na Europa pode ajudar exportações do Brasil

07/08/2007

Foco de aftosa na Europa pode ajudar exportações do Brasil

Com suspensão de comércio por causa de foco no Reino Unido, exportação brasileira de carne bovina deve crescer, diz produtor

A descoberta de foco de aftosa no Reino Unido, anunciada na última sexta-feira, pode ajudar as exportações de carnes brasileiras. O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes do Rio Grande do Sul, Ronei Lauxen, disse que a conseqüente proibição de exportações de gado britânico para os Estados Unidos e União Européia pode aumentar a demanda pela carne nacional.

Segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), o Reino Unido foi o terceiro maior comprador de carne brasileira entre janeiro e junho deste ano, com mais de 49 mil toneladas.

O secretário da Agricultura do Paraná, Valter Bianchini, acredita que o foco da doença no Reino Unido tende a levar a União Européia a rever procedimentos de bloqueio a regiões afetadas. "O que vai acontecer lá [será] o isolamento no raio em que ocorreu o problema. É isso que a gente quer, igualdade. Que medidas semelhantes possam ser tomadas aqui."

O Paraná e outros Estados vão receber missões da União Européia para avaliação de sanidade animal a partir de outubro. No próximo mês, fiscais da OIE (Organização Internacional da Saúde Animal) também farão análises que podem suspender barreiras à exportação do produto criadas a partir do surgimento do foco em Mato Grosso do Sul, em 2005.

Disputa

"É uma demonstração de que, em epidemiologia, não existe risco zero", afirmou o presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Marcus Vinícius Pratini de Moraes.

Ele também disse esperar que, a exemplo do que já ocorreu anteriormente com o Brasil, a importação de produtos britânicos de origem animal seja suspensa até que a doença seja contida. Se isso não acontecer, "ficará claro que a febre aftosa é apenas uma desculpa usada para a adoção de medidas protecionistas", afirmou.

A confirmação dos focos da doença na Inglaterra deve significar o início de mais uma etapa na disputa entre o Brasil e o Reino Unido no comércio de carne --os produtores brasileiros reclamam que países desenvolvidos usam barreiras sanitárias para limitar a importação de produtos vindos de países emergentes.

No mês passado, produtores irlandeses chegaram a enviar um relatório a autoridades da União Européia pedindo o embargo da importação da carne brasileira, com base em documentos que comprovariam, entre outras coisas, que o Brasil não possui os mecanismos necessários para identificar e rastrear o gado, dificultando o controle de doenças.

O governo brasileiro negou as acusações e afirmou não haver problemas nos rebanhos brasileiros, e a própria União Européia acabou rechaçando o pedido dos irlandeses.