Brenco investe para liderar em álcool
Grupo aplica US$ 2,3 bilhões em 10 usinas no País e planeja unidadeno Caribe. A Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco, sigla em inglês) avança no projeto de ser o maior grupo exportador de etanol do Brasil. A empresa, liderada pelo ex-presidente da Petrobras, Henri Philip Reichtsul, adquiriu recentemente 70% do projeto da usina do Grupo Andrella, em Mineiros (GO), e anuncia na próxima semana a construção da quinta usina, no município de Costa Rica, em Mato Grosso do Sul. A meta é lançar mais cinco unidades até o fim do ano, o que fechará o investimento programado de US$ 2,3 bilhões em usinas no Brasil.
O projeto da Brenco é de produzir exclusivamente álcool, com estimativa de atingir até 2013 o volume total de 4 bilhões de litros, o equivalente hoje a 25% da produção nacional estimada para este ano (cerca de 16 bilhões de litros), segundo o vice-presidente executivo da companhia, Rogério Manso. Cerca de 75% desse volume será alcançado até 2011. A comercialização vai ser direcionada, principalmente, ao mercado externo - Ásia, Europa e os Estados Unidos. Para abocanhar este último mercado, está nos planos da Brenco a construção de uma usina de desidratação de álcool no Caribe, conforme Manso. "Nosso intento é ajudar a destravar o mercado externo de etanol. E o volume que nós vamos fazer ajudará nesse objetivo".
A Brenco começou a atuar neste ano e até agora iniciou quatro projetos, sendo dois em Mineiros, um em Perolândia, ambos em Goiás, e outro em Alto Taquari, em Mato Grosso. Cada usina terá capacidade de processamento de 3,5 milhões de toneladas anuais, algumas com possibilidade de aumentar a produção, segundo o executivo. De acordo com o secretário de Agricultura e Pecuária de Costa Rica, Agoncílio Corrêa, na semana que vem a Brenco anuncia oficialmente a construção da quinta unidade. "Metade da área a ser ocupada pelos projetos do grupo era de pastagem e, o restante, com agricultura", acrescenta Corrêa.
A estratégia da Brenco é investir em projetos novos, em vez de aquisições. As outras cinco usinas devem ser construídas no Oeste de Minas Gerais, no Sul de Goiás, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. "Nossa localização é estratégica para exportação", acrescenta o vice-presidente. O escoamento via Ferronorte é uma possibilidade, segundo ele, no entanto, não é a única. "Pelo volume que planejamos movimentar, o ideal seria o alcoolduto, mas há questões de custo e de características do investimento que pode nos direcionar a outra alternativa. Estamos avaliando neste momento um projeto logístico, do qual poderemos falar somente no final do ano", avisa o executivo.
CapitalA Brenco é formada por investidores nacionais e estrangeiros e, entre os fundadores (que detêm 1/4 do capital), estão o Philip Reichtsul, que também é conselheiro de várias empresas internacionais, entre as quais a Peugeot-Citroën e a Repsol. Um outro sócio-fundador é o empresário Ricardo Semler, também um dos fundadores da Tarpon Investimentos. Ainda participam da carteira de etanol da Brenco o indiano radicado nos Estados Unidos Vinod Khosla, sócio da firma de capital de risco Kleiner Perkins Caufield & Byers, além de James Wolfenson, ex-presidente do Banco Mundial, e o ex-diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn. Apesar de o comitê de Hilary Clinton ter divulgado recentemente o investimento do ex-presidente americano, Bill Clinton, no capital da Brenco, não há esse registro na companhia, segundo Manso. "Se ele integralizou, deve ter sido por meio de algum fundo que compõe a nossa carteira".
FABIANA BATISTA