Da Bahia para regiões sergipanas

13/08/2007

Da Bahia para regiões sergipanas

Pesquisadores da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) estiveram nas regiões sul e norte de Sergipe, no mês passado, para estudo da viabilidade de implantação de culturas desenvolvidas em municípios do sul da Bahia em áreas irrigadas e de sequeiro sergipanas.


As primeiras impressões, que posteriormente serão sistematizadas em relatórios técnicos, foram apresentadas na semana passada ao secretário da Agricultura, Paulo Viana, pelos pesquisadores Gilberto de Andrade Fraife Filho e José Wanderley Ramos.


O pesquisador Gilberto de Andrade destacou a similaridade de clima e solo sergipanos com a região sul da Bahia, o que, em sua avaliação, permite a introdução de cupuaçu, cajá, açaí, pimentado-reino, graviola e pupunha, tidas como alternativas viáveis para fugir da monocultura.


Embasados em números que projetam a consolidação dessas culturas no sul da Bahia, o técnico defendeu a importância da consorciação nas espécies perenes e subperenes, para geração de uma maior sustentabilidade. Todas essas culturas, diz Gilberto Andrade, já estão engajadas em um mercado crescente e permitem a agregação de valores às agroindústrias.


O outro pesquisador, Wanderley Ramos, apresentou a pimentado-reino como apropriada ao pequeno agricultor, podendo ser explorada, com planejamento capacitação, nos assentamentos.
“É uma cultura de exportação, com garantia de que 70% da produção nacional é vendida para os mais diversos países”, argumenta o pesquisador, acrescentando que esta alternativa agrícola exigiria baixos investimentos.

AGRICULTURA FAMILIAR – As primeiras experiências com a implantação dessas culturas, depois de escolhidas as que sejam viáveis e tenham mercado garantido, adiantou o secretário Paulo Viana para A TARDE Rural, seriam em unidades de demonstração da agricultura familiar. “Essas unidades serão implantadas no próximo ano e permitirão a difusão de culturas, a capacitação dos técnicos e agricultores, incluindo incluindo o foco de mercado durante os cursos, pois queremos uma assistência onde o técnico que ensina a plantar também ensina a procurar e apontar mercados”, disse o secretário.


Ele acrescentou que o trabalho de implantação dessas novas culturas na agricultura familiar deverá contar com a parceria da Universidade Federal de Sergipe.

CORTESIA – Também estiveram presentes ao encontro, na semana passada, o presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura de Sergipe (Fetase), Joel José Farias, e o representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Marcos César Oliveira, O secretário sergipano comentou que a presença dos pesquisadores da Ceplac em Sergipe representou uma cortesia, uma reciprocidade, à vista que ele fez, recentemente, à Bahia, em viagem em busca de novos mercados para alguns produtos sergipanos, a exemplo da mangaba, e, também, para avaliar frutíferas que vêm obtendo êxito em solo baiano, com garantia de negócios, para que sejam introduzidas em Sergipe.

ARI DONATO