A vez da beterraba no sudoeste

13/08/2007

A vez da beterraba no sudoeste

A beterraba tornou-se uma cultura forte na zona rural de Lagoa das Flores, a 5 km do centro de Vitória da Conquista. A área total plantada na região saltou de 3 para 5 hectares em menos de um ano. Parece pouco à primeira vista, mas é um avanço para uma cultura que esteve relegada a segundo plano até pouco tempo e restrita apenas a algumas plantações. Agora, ocupa mais espaço nas hortas e uma das razões para isso estaria nas propriedades culinárias e medicinais da beterraba.

Rica em vitaminas A, B e C, sais minerais (sódio, zinco, potássio, magnésio e ferro), é indicada no combate a anemia e gengivites.
Também para pessoas com problemas intestinais, como laxante.
O suco da beterraba tônico é diurético e refrescante. Esta olerícola possui o maior índice de açúcar e tem poucas calorias. Aproximadamente 50 por xícara.

O produtor familiar Orozino Oliveira, 62 anos, que cultiva hortaliças há 20, acredita que o aumento na procura pela beterraba na região seja “por que muitas pessoas estão buscando complemento para tratar da saúde”. Ele conta que o tratamento dado ao vegetal nem sempre foi esse.

“Antigamente, as pessoas comiam apenas as folhas e jogavam a raiz fora. Depois, passaram a usar a raiz como remédio, para aliviar dores de cabeça e de dente”. Sua clientela é vasta em Vitória da Conquista e em outras cidades da região. “De uma hora para outra, o povo começou a procurar beterraba e a gente teve que aumentar o plantio”, diz. Embora não seja destaque em seu sítio, ele aumentou em 30% a área cultivada.

Cada molho com três beterrabas, vendido ao atravessador por R$ 0,50, chega ao consumidor por até R$ 1, e a caixa de 20 kg, em razão do aumento na demanda, passou de R$ 10 para R$ 15. Por causa da falta de tradição, o plantio é feito sem controle, impedindo, com isso, um cálculo preciso da produção anual da região.

“O povo planta de qualquer jeito. Não sei informar quantos quilos de beterraba a gente produz aqui, mas toda semana sai um caminhão carregado para as feiras”, conta o pequeno lavrador Nailton Moreira Silva, 42 anos. Enquanto prepara mais uma fileira de beterrabas, o lavrador enumera algumas das utilidades da planta, de suco a saladas. “A gente faz suco de beterraba com laranja, frita como se faz com as batatinhas, cozinha, bate com leite no liquidificador ou então usa em sopas e saladas, misturando com cenoura, alface e cebolinha”.

Com experiência de quem planta desde a infância, Nailton Moreira Silva ensina que as melhores beterrabas são as bem vermelhas e de tamanho médio, com casca lisa, sem alterações, talo firme e com folhas brilhantes. “Essas é que são as boas. Para combater a gripe não tem melhor. Basta cozinhar e depois fazer um caldo com açúcar, alho e hortelãzinho”.

Também recomenda adquirir no período da safra, que começa em setembro e vai até janeiro. Nesta época, estão com melhor qualidade, com ótimo sabor e com menor preço. Indica o mês de novembro como o melhor para as beterrabas, quando estão bem doces. “Melhor comprar beterrabas com as folhas, porque elas podem ser usadas para fazer refogado, saladas, recheio para tortas e pastéis”, comenta Maria Anita Santana, 38 anos.

Rica em vitaminas, torna qualquer prato saboroso

O nutricionista Rogério Amaral Dias, 37 anos, recomenda o uso da beterraba a pessoas anêmicas, por ser um vegetal rico em ferro, e para pessoas que têm dentes fracos. “Ela também combate os desgastes do fígado e do baço. A beterraba, além de possuir alto teor de açúcar, é muito rica em vitaminas A e C e do complexo Complexo B”.

Mas, adverte, a vitamina C só é absorvida pelo organismo humano se a beterraba é consumida crua. Outra propriedade é a riqueza em sais minerais, como sódio, que protege o organismo contra a perda excessiva de líquidos.

O nutricionista de Vitória da Conquista cita, ainda, que são encontrados na beterraba o potássio, elemento necessário para a atividade muscular normal, e o zinco, necessário aos tecidos cerebrais e magnésio, que é constituinte do osso e regula as funções musculares e nervosas. É um vegetal que tem bom teor de proteína (3%) e de ferro (2,5 mg/100 g de produto cozido)”, completa.

Os restaurantes de comida a peso e churrascarias da cidade não desprezam este ingrediente, revela a cozinheira Maria Rita de Lourdes, 55 anos. Suas dicas tornam qualquer prato com beterraba mais saboroso: “Para escurecer o caldo da carne cozida ou assada é só colocar uma ou duas fatias de beterraba”. Além de melhorar a cor, o caldo fica mais encorpado.

E beterraba recheada? Fácil, sustenta Maria Rita. A receita é simples: depois de cozinhar a beterraba, descasque e retire parte da polpa. O recheio pode ser com creme de milho verde com frango, estrogonofe de carne ou creme de queijo. Para algo mais leve, o recheio pode ser de queijo cottage com ervas e um pouco de azeite de oliva.

JUSCELINO SOUZA