Preço do leite deve continuar subindo até setembro

14/08/2007

Preço do leite deve continuar subindo até setembro


Novos aumentos no preço do leite e derivados devem continuar acontecendo atésetembro no mercado baiano. Desde junho, a entressafra e a falta do produto no exterior já provocaram reajustes de mais de 70%. A situação levou as principais redes de supermercados da Bahiaa limitar a compra do item em, no máximo, dez latas ou caixas longa vida por consumidor. Em alguns estabelecimentos, o racionamento chega a cihco unidades por cliente.

Os empresários têm explicações diferentes para a determinação. "A intenção é impedir que o produto falte nas prateleiras, enquanto a oferta está baixa", justifica Teobaldo Luís da Costa, proprietário do Atakarejo, onde cada consumidor pode levar, no máximo, dez unidades. Já o Bompreço, que em algumas lojas está limitando em cinco latas por cliente, informou, através da sua assessoria de comunicação, que o objetivo é evitar que pequenos varejistas façam estoque. Segundo a assessoria, desde maio, o preço do leite teve variação de mais de 50% nas unidades da rede, "mas a empresa já está em negociação com fomecedores nacionais, instalados principalmente em Goiânia, Minas Gerais e na região sul do país para reforçar o fornecir,nento do produto para o Nordeste, e a expectativa é que, dentro de uma ou duas semanas, o abastecimento seja aumentado e os preços se estabilizem".

Entretanto, Teobaldo Costa,  que é também presidente do Sindicato dos Supermercados e Atacado de Auto-serviços do Estado da BÇihia (Sindisuper), afirma que os preços devem continuar em alta enquanto durar a entressafra, até setembro. "Algumas fábricas, como a Nestlé, já nos informaram que haverá novo aumentO esta semana. Com isso, acredito que o leite Ninho, por exemplo, que já está beirando os R$7, deve passar dos R$8", calcula.

O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Derivados de Leite do Estado da Bahia (Sindileite), Paulo Cintra, garante que não há crise, porque o produto não está faltando para o.consumidor. "O Brasil é auto-suficiente em leite, mas todo ano, no período da entressafra, o país precisa importar para atender à demanda interna. Dessa vez, no entanto, o preço no exterior está muito alto, por cO!"\\ta da seca prolongada e do crescimento da procura lá fora (principalmente na Nova Zelândia e Austrália, maiores produtores mundiais de leite), e o mercado nacional acaba acompanhando os preços internacionais", explica.

Segundo Cintra, o preço do leite no mercado mundial, que custa normalmente US$2,6 mil a tonelada, está hoje em US$5,9 mil. ''O aumento da demanda no exterior é motivado principalmente pela entrada da China, que antes não consumia leite. O governo chinês está doando leite à população, por conta de uma campanha de incentivo ao consumo do produto, para evitar a incidência de cárie e osteoporose", informa o presidente do Sindileite. Já a Bahia produz cerca de 900 milhões de litros de leite por ano e consome 1 ,5 bilhão. Para suprir a demanda, o estado importa dos grandes produtores nacionais, como Minas Gerais e Goiás.

Nas prateleiras, os preços bem acima da média assustam os consumidores, que já buscam alternativas para 'reduzi r os gastos. Acostumada a comprar leite em pó sempre da mesma marca, a professora Selma Dias acabou levando ontem o produto de outra marca, em embalagem de saco de 2oog. "Essa opção ficou mais em conta, mas só estou comprando para não ficar sem leite em casa. Espero que esta situação se regularize logo, e que a gente não precise ficar em desespero, com medo de o leite faltar nos mercados", disse.

Em visita a alguns supermercados, mercadinhos e delicatessens da capital baiana, ontem, a reportagem constatou que a lata de leite Ninho (400g), por exemplo, que normalmente é comercializada na faixa dos R$4 a R$5, está custando entre R$6,78 a R$6,90. O saco de 200g do ltambé, de R$1 ,80, passou para R$2,90, em média, e o longa vida da marca Alimba (11), de cerca de R$1 ,30, já é encontrado de R$2,45 até R$2,67. Já o queijo tipo prato, cujo quilo sai em torno de R$8, está sendo vendido atualmente por R$15 a R$20.

ADRIANA PATROCÍNIO