Líder global, Malásia quer palma do Brasil

15/08/2007

Líder global, Malásia quer palma do Brasil


Um feito inédito no setor de óleo de palma ocorreu nesta semana. A Agropalma, empresa controlada pelo Banco Alfa e a maior produtora de óleo de palma do país, concluiu a primeira exportação para a Malásia - país líder mundial em produção e exportação de óleo e outros subprodutos da palma, responsável hoje por 44% da oferta mundial dessa commodity. 

A Agropalma fechou contrato com a trading japonesa Itochu para exportar estearina de palma orgânica a indústrias instaladas na Malásia. A estearina é uma espécie de gordura obtida no refino do óleo de palma e é utilizada pelas indústrias alimentícia e cosmética. Aproximadamente 30% do óleo de palma bruto é convertido em estarina no processo de refino. 

O contrato foi assinado na segunda-feira, com a entrega inicial de um contêiner (de aproximadamente 11 toneladas). Mas a expectativa da empresa é fazer uma entrega sistemática do produto à Malásia. "Esse é um namoro antigo e é de extrema importância porque vai ajudar a abrir mercados na Ásia", afirma André Gasparini, gerente de exportação da Agropalma. Segundo ele, faltam produtores de palma orgânica na Malásia - país que produz sozinho em torno de 16 milhões de toneladas de óleo de palma por ano, contra 130 mil do Brasil. 

"É como se o Brasil importasse suco de laranja", afirma Marcello Brito, diretor-comercial da Agropalma. Ele observa que, devido à distância e o custo de frete, para o Brasil só compensa exportar à Ásia derivados da palma que tenham valor agregado superior ao da commodity. Hoje, em torno de 10% da produção da Agropalma é orgânica. Esses produtos são destinados principalmente aos Estados Unidos e Europa. Neste ano, a empresa também iniciou as exportações de orgânicos para Canadá e Coréia. 

Neste ano, a Agropalma prevê exportar 5 mil toneladas de óleo de palma orgânica e seus subprodutos, ante uma mil tonelada no ano passado. Os produtos orgânicos, segundo Brito, chegam a valer até 50% mais que os itens convencionais e, no mercado internacional, há pouca oferta disponível. 

De acordo com Gasparini, praticamente toda a produção de orgânicos é destinada ao mercado externo. "No Brasil, somente neste ano o mercado começou a consumir volumes mais significativos. Mas, ainda assim, as vendas ficam em torno de 2 toneladas por mês", compara o gerente. 

Neste ano, a Agropalma prevê produzir 130 mil toneladas de óleo de palma e derivados, 7% menos que em 2006. Conforme Marcello Brito, a seca que afetou a região Norte do país no ano passado afetou a formação dos frutos, provocando uma quebra de safra neste ano. Do total a ser produzido, a empresa prevê exportar 10 mil toneladas, ante 22,7 mil no ano passado. "O câmbio continua tendo um efeito perverso sobre as exportações. Só compensa exportar produtos com alto valor agregado, por isso a aposta nos orgânicos", disse. 

CIBELLE BOUÇAS