Crise na cacauicultura permanece sem solução

16/08/2007

Crise na cacauicultura permanece sem solução

A crise que se arrasta por quase 20 anos na lavoura baiana do cacau parece estar longe do fim. Este foi o desabafo de parlamentares da bancada ruràlista e de representantes de cacaueiros que participaram, ontem, de uma audiência pública no Senado para debater as dificuldades financeiras do setor e o pesado endividamento dos produtores (R$ 708 milhões). O convidado principal, o ministro daAgricultura, Reinhold Stephqnes, 'não compareceu e enviou o diretor da área de defesa sanitária vegetal, Girabis Costa e Moura.

A presença do técnico causou mais indignação quando informou aos presentes que o governo federal reservou apenas R$ 30 mil para barrar a monilíase, praga que atinge lavouras na América Central e também está presente em países vizinhos do Brasi_ como Peru e Colômbia, Essa ameaça é ainda mais devastadora que a famigerada vassoura-de-bruxa, instalada no País desde 1989.

Em tom emocionado, o presidente da Federação da Agricultura (Faeb), João Martins Júnior, disse que voltaria arrasado para a Bahia, "Espera ter ao menos uma notícia boa", disse. Anunciada há 20 dias com estardalhaço pelo governo federal, a prorrogação das dívidas da cacacauicultura pelo Banco Central éconsiderada mero paliativo da grave crise dos produtores, que continuavam com nomes inscritos nos serviços de proteção ao crédito e na dívida ativa da União.

Com base em decisão do Conselho Monetário Nacional, o BC publicou a resolução 3.484 que estabeleceu novo cronograma para o pagamento das parcelas vencjdas. "Queremos revisão dos passivos, inchados por juros, taxas menores e prazos maiores", disse Martins.


SÍLVIO RIBAS