IB encontra fungo em 290 cidades de SP
Há sigatoka em toda a Região Sul, no Mato Grosso do Sul e no Sudeste, só não tem no Espírito Santo
O Instituto Biológico, órgão da Secretaria de Agricultura credenciado para fazer o diagnóstico molecular e identificar a sigatoka negra, detectou a doença em 290 dos 511 municípios pesquisados no Estado de São Paulo. Foram inspecionadas 1.086 propriedades rurais, principalmente no sul e centro-oeste, onde ficam as principais áreas de produção.
No caso das bananas nanica, nanicão e prata, a contaminação chega a 50%. A doença é causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis e surgiu nas Ilhas Fiji, na Ásia. É muito agressiva, com períodos curtos de incubação e rápida disseminação dos esporos. Os frutos das plantas atacadas amadurecem precocemente e não completam seu desenvolvimento.
No Brasil, foi encontrado em 1998 no Estado do Amazonas, espalhando-se nos anos seguintes por toda a região Norte. Com produção de 6,4 milhões de toneladas, o País ocupa a terceira posição no ranking mundial, atrás da Índia (16 milhões) e do Equador (7,5 milhões). A partir de 2003, quando o Instituto Biológico foi credenciado para expedir laudos, a doença apareceu em parte do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, e em toda a região Sul. Além de São Paulo, os testes foram positivos no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
IMPACTO MENOR
Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA)mostram que o impacto da doença na produção paulista não foi tão forte como se esperava. Em 2003, São Paulo produziu 1,14 milhão de toneladas e, em 2004, colheu 1,16 milhão. Na safra de 2005, já sob o impacto da doença, a produção caiu para 1,12 milhão de toneladas, mas, no ano passado, houve recuperação e a produção voltou para 1,16 milhão. A previsão é de que este ano haja crescimento de 5%.
São Paulo é o maior produtor do Brasil, seguido dos Estados da Bahia, Minas Gerais e Santa Catarina. Por causa da sigatoka, apenas a fruta produzida em bananais controlados pelo programa de mitigação de risco, criado em 2005 pelo Ministério da Agricultura, pode ser enviada para outros Estados.
No Vale do Ribeira, 70 produtores estão incluídos nesse programa e despacham caminhões com bananas principalmente para os Estados do Sul e para o Rio de Janeiro. A banana é despencada, recebe tratamento e é embalada em caixas. De acordo com Gilmar Gilberto Alves, da Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura, o número de produtores em condições de atender as normas do programa de mitigação é bem maior. ''Muitos preferiram não se inscrever porque vendem toda a produção no Estado.''Ele considera a região privilegiada em termos de localização. ''Estamos a 150 quilômetros do maior centro consumidor América do Sul, a Grande São Paulo.''