Unica acelera sua internacionalização

17/08/2007

Unica acelera sua internacionalização


A Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) deve inaugurar em dois meses sua base em Washington (EUA). Segundo Marcos Jank, presidente da Unica, a entidade está contratando um executivo americano para representar o setor sucroalcooleiro do país no mercado americano. 

"Esse executivo será a nossa voz nos EUA. Ele irá ao Congresso e Executivo dos EUA, participará de debates sobre biocombustíveis e nossa ponte com ONGs", disse. Nos próximos meses, a Unica terá uma base em Bruxelas, para representar o setor na União Européia, e outra na Ásia, mas o local ainda não foi definido. 

A internacionalização da Unica reflete a importância que o etanol ganhou no mercado internacional. Nos EUA, a intenção da Unica é abrir caminho para o álcool brasileiro. Os EUA impõem uma tarifa de US$ 0,54 por galão para entrada de álcool de outros mercados, além de uma tarifa de 2,5% ad valorem. 

Mesmo com essa restrição, cerca de 65% do álcool exportado pelas usinas do centro-sul do país de abril a julho deste ano, referente à safra 2007/08, foram para o mercado americano. Os volumes incluem os embarques diretos para os EUA e os feitos via Caribe, segundo a Unica. 

No Brasil, a Unica vai reforçar sua área de comunicação, contratando um profissional trilíngüe para se comunicar com a imprensa internacional. 

Agora, a Unica está empenhada em negociar com a Índia a retirada dos subsídios daquele país à exportação de açúcar. "Vamos negociar através do Itamaraty e também diretamente com a iniciativa privada", afirmou Jank. A Unica não acha que é caso de questionar o país na Organização Mundial do Comércio (OMC). "A Índia é um importante aliado do Brasil no G-20. Vamos tentar convencê-los a destinar parte da produção de cana para o álcool." 

Ontem (dia 16), a Unica também divulgou sua revisão para a safra 2007/08. As usinas do centro-sul do país vão processar 410 milhões de toneladas de cana. A estimativa anterior indicava moagem de 420 milhões de toneladas. Segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, cerca de 10 milhões de toneladas ficarão nos canaviais. O clima chuvoso no início da safra atrasou a colheita em algumas regiões do centro-sul. A produção de açúcar ficará em 25,1 milhões de toneladas, ante 27,5 milhões de toneladas. Na safra 2006/07, a produção de açúcar ficou em 25,795 milhões de toneladas. A menor produção de açúcar será compensada pela maior oferta de álcool, prevista em 18,54 bilhões de litros, 15,4% mais que no ciclo anterior. 

Até o dia 1º de agosto, as usinas processaram 189,71 milhões de toneladas de cana, volume 2,99% acima das 184,2 milhões de toneladas do mesmo período da safra anterior. O mix de produção para a safra será de 45% para o açúcar e 55% para o álcool. 

A demanda mensal por álcool gira em torno de 1,32 bilhão de litros. Se continuar firme, a projeção é de que o estoque de passagem para o final da safra fique apertado, em torno de 700 milhões de litros. 

MÔNICA SCARAMUZZO