Agronegócio baiano segue estável
O diretor de Política e Economia Agrícola da Secretaria de Estado da da Agricultura (Seagri), José Mário Carvalhau de Oliveira, disse ontem que ainda é cedo para avaliar os impactos da variação do dólar no agronegócio baiano.
A cotação da moeda norte-americana, que ontem estava em R$ 2,027 (17h), há seis dias era de R$ 1,938 e chegou ao pico (R$ 2,13) no início da tarde de anteontem. "Essa volatilidade dificulta as análises. Pode ser um surtO" afirmou Oliveira. "Os impactos, por enquanto, estão restritos ao mercado financeiro".
A expectativa do setor, que está cauteloso com o atual movimento cambial, é que o dólar segure essa alta. Isso tornaira o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional.
"Ainda é cedo para comemorar, porque não há estabilidade. Mas o ideal para os produtores de commodities é que dólar chegue a R$ 2,50", avaliou Humberto Santa Cruz, presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia. Segundo Santa Cruz, os produtores do oeste baiano não estão prevendo estratégias de investimentos baseados na alta do dólar. "É preciso cautela".
EXPORTAÇÃO - A região, cujo valor brutO de produção agrícola chega a R$ 4 bilhões por ano, é importante exportadora. A maior parte do volume total de grãos - cerca de milhões de toneladas por ano - vai para o mercado externo, chegando a 80% no caso do café e do algodão. Santa Cruz explica que a constante queda do dólar frente ao real, registrada nos últimos anos, prejudicou o setor.
"Comparando dados de abril de 2001 e de 2007, vemos que o dólar estava cotado ao mesmo valor, só que o custo com mão-de-obra dobrou; o diesel subiu 125% e os insumos, só em 2007, já tiveram aumento de 30%. É difícil", contou. "O que temos feito é buscar a redução de custos e o aumento'da eficiência para tentar sobreviver nesse cenário". '
PREOCUPAÇÃO - Ao mesmo tempo que o aumento do dólar é bem-vindo, o setOr está preocupado com o reflexo nos preços dos insumos, como adubos e defensivos,qUe são importados. Para o presidente da Federação da gricultura e Pecuária do Estado da Bahia, João Martins da Silva Júnior, esse é o ponto negativo da valorização do dólar.
"Há uma animação dos produtores com o valor do dólar e com a esperança de que os preços melhorem, mas esse fator preocupa",disse. De acordo com ele, a variação cambial já está tendo reflexos, principalmente no mercado cacaueiro. "O cacaul, que estava a R$ 57,156 a arroba, passou dos R$ 60", informou.
JOSIANE SCHULZ