Alerta para o café e o algodão

20/08/2007

 Alerta para o café e o algodão

Se a emissão do gás carbônico continuar nos mesmos níveis de hoje e não forem adotadas medidas compensatórias, até 2050 haverá a substituição gradual das florestas por cerrado, a caatinga sofrerá um processo de desertificação, regiões mais baixas vão sofrer inundação e haverá uma queda na produção agropecuária. A temperatura da Terra vai se elevar em 1,6°C.

Soliano destacou que culturas como o algodão e o café tendem a desaparecer da Bahia e serem replantadas em regiões de clima mais temperado. "Devemos nos preparar para essas mudanças. Na agropecuária, uma solução é o desenvolvimento de espécies mais resistentes", disse.

De acordo com o coordenador da Área de Clima do Greenpeace, Luís Henrique Piva, é preciso conhecer a vulnerabilidade de cada região para poder combater os efeitos.

"O plano que vamos elaborar leva em conta empactos que acontecerão daqui a 30 anos" Eduardo Mattedi

Perda de biodiversidade

- O superintendente de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável da Semarh, Eduardo Mattedi, disse que o planeta corre o risco de até 2100 perder 30% da sua biodiversidade.

"Se controlarmos esse processo vamos poder oferecer mais resistência e capacidade de adaptação às espécies", observou.

Mattedi afirmou que as políticas públicas devem ser pensadas a longo prazo, e não por gestão. "O plano que vamos elaborar leva em conta impactos que acontecerão daqui a 30 anos. Um governo não deve limitar sua ação aos quatro anos de gestão", declarou.

Soluções para o Brasil

Em 100 anos, a temperatura da Terra aumentou em 0,7ºC, provocando o derretimento das grandes massas de gelo, que aumentam o nível médio do mar, ameaçando as ilhas oceânicas e as zonas costeiras.

O excesso de calor também torna furacões, tufões e ciclones mais intensos e destrutivos. Temperaturas mínimas ficam mais altas, enxurradas e secas mais fortes e regiões com escassez de água, como o semi-árido, viram desertos.

No Brasil, a medida mais urgente para frear esse processo é parar o desmatamento e as queimadas na Amazônia. As grandes hidrelétricas, que inundam imensas áreas de floresta, são também grandes emissoras de CO².

Para Luís Henrique Piva, ao investir em eficiência energética, o Brasil poderá economizar 25% da energia que consome. "Somente nas linhas de transmissão o país perde 18% da energia que gera", observou.