Expocotton volta com a melhoria do setor agrícola na região Oeste
A Expocotton Bahia 2007, que será realizada de quinta-feira a sábado, no distrito de Roda Velha, a 130 km de São Desidério, oeste do Estado, tem como proposta apresentar o que há de mais moderno em máquinas e equipamentos para o setor da cotonicultura e promover a discussão dos principais problemas que envolvem a cultura e comercialização do algodão baiano.
No ano passado, a Expocotton não foi realizada devido a uma crise que se abateu sobre o setor agrícola brasileiro. Em 2005, na primeira edição, a feira recebeu a visita, diariamente, de 15 mil pessoas, rendendo negócios de R$ 35 milhões, em financiamentos bancários e outras transações realizadas entre os produtores e revendedores de máquinas e insumos.
O município de São Desidério detém, desde 2004, o título de maior produtor individual nacional de algodão, com 112 mil hectares na safra 2006/2007. Na safra 2005/2006 foram plantados 100 mil hectares de algodão e em 2004/2005, 94 mil hectares. Da produção, 40% vão para as exportações e 60% o mercado interno.
O município é, também, o maior produtor de grãos (milho 60 mil hectares e soja 230 mil hectares na safra 2006/2007) do Nordeste brasileiro, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ainda de acordo com o IBGE, a produção total do município na última safra foi de 1,038 milhão de toneladas, com rendimento de R$ 659,3 milhões, dos quais R$ 374,2 milhões com o algodão.
Segundo o secretário municipal de Agricultura, Genivaldo de Assis, para a Expocotton 2007 foram convidados 34 industriários de fiação e tecelagem de Minas Gerais “para ver o potencial produtivo do município, pois é urgente que se instalem indústrias para desenvolver toda a cadeia produtiva da fibra, para agregar valor ao produto e gerar mais empregos”.
Para beneficiar o algodão (retirar o caroço e deixar apenas a fibra, preparando o produto para as indústrias de fiação) o município tem instaladas e em funcionamento 20 algodoeiras. Só na região de Roda Velha, onde estão concentradas as maiores fazendas produtoras da fibra, são gerados cerca de mil empregos diretos entre as beneficiadoras e as lavouras.
Durante os três dias da Expocotton serão realizadas palestras técnicas com especialistas do setor da produção, industrialização e comercialização de algodão. Uma delas será Desafios para a sustentabilidade da cotonicultura, a ser ministrada pelo presidente do Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro), Ezelino Carvalho.
Pesquisador recomenda destruição de soqueiras
A não-destruição da soqueira do algodão ou a não-observação dos aspectos técnicos que envolvem o processo de destruição pode tornar o cultivo do algodão inviável em determinada região, daí ser necessária a eliminação dessas soqueiras logo após a colheita.
Esta foi a recomendação do pesquisador Odilon Reny Ribeiro, da Embrapa Algodão, feita durante o 6° Congresso Brasileiro do Algodão, realizado entre 13 e 17, em Uberlândia (MG). Técnicos da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) estiveram presentes ao encontro, que deu enfoque às oportunidades da cotonicultura brasileira, à projeção do Brasil no mercado externo e às novas tecnologias do setor algodoeiro “Imediatamente após a colheita deverá ser feita a roçada dos restos culturais e, havendo rebrotas, devem ser aplicados herbicidas, com o objetivo de eliminar as estruturas de alimentação e a reprodução de insetos-praga”, diz o especialista.
Após a destruição, por métodos mecânicos, ele recomenda, tão logo seja possível, fazer a semeadura de uma espécie vegetal diferente do algodoeiro, para também auxiliar no controle de possíveis rebrotas.
A integração dos métodos (mecânico, cultural e químico) é o que obtém melhores resultados, pois nenhum método isolado proporciona controle de 100% da rebrota.
Estudos constataram que esta prática possibilita a redução de mais de 70% dos insetos que estariam em quiescência, sobreviveriam no período de entressafra e infestariam a cultura muito precocemente na safra seguinte.
MIRIAM HERMES