ANP: investimento em pesquisa é maior desafio do país
Governo, instituições acadêmicas e agentes privados do setor energético precisam investir em pesquisa e desenvolvimento, para que o país não seja ultrapassado tecnologicamente na corrida por combustíveis de origem vegetal. O alerta foi feito pelo diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, el11 sua palestra durante o seminário. "Os Est~dos Unidos já anunciaram inversões de US$. 6,6 bilhões em pesquisas sobre o etanol celulósico. Não podemos nos acomodar com a atual situação de superioridade produtiva e tecnológica nos biocombustíveis de primeira geração. Precisamos ajustar nossos programas de pesquisa".
Com o tema "Os biocombustíveis na matriz energética mundial", Lima enumerou as três grandes motivações globais para adoção de políticas que incentivem uma mudança de médiq prazo na oferta dos diversos tipos de energia. Diante de uma economia mundial que ainda extrai 87% de sua energia de fontes não-renováveis, diz ele, é preciso urgentemente: reduzir as emissões de carbono; responder positivamente ao aumento das pressõss sociais, políticas e científicas em defesa do uso de energias limpas; e aproveitar as imensas vantagens econômicas e práticas para consumo cada vez maior de biocombustíveis.
"O planeta tem uma estrutura de oferta energética que fomenta o aquecimento. É preciso alterar essa oferta, prevenindo o esgotamento das reservas de petróleo e gás", diz o diretor-geral da ANP, recordando que os países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) consomem energia em 94% oriunda de fontes não-renováveis, contra apenas 6% de fontes renováveis.
O Brasil, nesse contexto, parte para essa mudança de um patamar privilegiado: tem 56,3% de fontes nãOfenováveis na sua matriz energética, enquanto quase 45% do que consome provêm de fontes renováveis (hidroeletric~ dade e biomassa, que inclui os biocombustíveis líquidos e a lenha). "Temos que nos preparar para substituir gradativamente o petróíeo por fontes renováveis de energia", concluiu.