Mais riquezas
A Mata Atlântica é o mais conhecido e ameaçado dos biomas presentes na Bahia, sofrendo contínuas agressões desde a colonização até os dias atuais. A exuberante cobertura original chegou a cobrir 15% do território nacional, se estendendo desde o Nordeste até o Rio Grande do Sul, mas hoje suas dimensões foram reduzidas em mais 90%. Ainda assim, o que resta concentra uma significativa parcela da biodiversidade do planeta. Para se ter uma idéia, de acordo com dados da Aliança para a Conservação da Mata Atlântica, somente no sul da Bahia, em apenas um hectare (o equivalente a um campo de futebol), foram registradas 270 espécies de mamíferos, 372 de anfíbios, 197 de répteis, 849 de aves, 2.120 de borboletas e, um recorde mundial, 454 espécies de árvores. A combinação entre riqueza e ameaça dão à Mata Atlântica o status de hotspot, merecendo atenção e medidas urgentes de recuperação e preservação.
Em sua grande extensão, a Mata Atlântica abriga ecossistemas de aspectos variados, tendo em comum a umidade e as temperaturas tropicais, que variam de acordo com a região. As florestas são densas, com árvores de grande porte e plantas menores como bromélias, cipós e orquídeas, entre outras. Há também grande variedade de animais silvestres, constantemente ameaçados por tráfico internacional.
Mesmo com amplo conhecimento sobre o bioma, com programas que correm atrás do prejuízo dos últimos cinco séculos e com legislações específicas acerca dos usos e proteção, a Mata Atlântica continua sofrendo com substituição da vegetação original por lavouras e pastagens, avanço imobiliário e industrial, entre outros impactos.
SUSTENTABILIDADE NA MATA - Existem hoje possibilidades de aproveitar as riquezas da Mata Atlântica através de atividades lucrativas completamente distintas do modelo extrativista predatório que vem sendo empregado até então. Iniciativas como o Programa Mercado Mata Atlântica, tocado pela Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), apontam e amparam saídas diferenciadas para gerar emprego e renda, promovendo a utilização responsável do meio ambiente.
Através do seu balcão de serviços para negócios sustentáveis, atua junto a empreendimentos comunitários, pequenas e microempresas que utilizam recursos agroflorestais que valorizam economicamente a floresta existente, que dependem da boa conservação da mata para existir ou que trabalham com beneficiamento de maneira sustentável. Fazem parte deste perfil atividades como apicultura, manejo de pesca, reciclagem de matéria-prima, produção de cacau orgânico e ecoturismo, entre outras.
No que diz respeito ao ecoturismo, as áreas remanescentes da Mata Atlântica abrigam atrativos fundamentais para o desenvolvimento desta vertente em crescimento no mundo – paisagens admiráveis, com bacias hidrográficas e a assombrosa variedade de plantas e animais.
Através de empreendimentos instalados seguindo a lógica de conservação dos ecossistemas, é possível atrair turistas de diversos países e de outras regiões do Brasil, dispostos a investir na vivência de imersão nas florestas, que estão entre as mais ricas do planeta. Com a receita gerada, além do lucro e da movimentação da economia regional, é possível reinvestir no bioma, ampliando ações de recuperação e preservação.
Outro caminho está no artesanato, quando desenvolvido a partir do uso de plantas e fibras extraídas sem prejuízo ao ciclo natural. No sul da Bahia, por exemplo, o governo estadual está investindo na criação de viveiros de plantas nativas em reservas indígenas. Com esta medida, os índios têm condições de obter a matéria-prima para a confeccionar seus produtos, que geram renda através da comercialização nos pontos turísticos, ao mesmo tempo em que trabalham pela recuperação da floresta.