Cacau fino e chocolate de excelência

23/08/2007

Cacau fino e chocolate de excelência

Na nova onda da cacauicultura de alto valor agregado, o segmento do cacau fino – destinado a fábricas internacionais que produzem chocolate digno da apreciação de verdadeiros gourmets – ainda é tímido na Bahia, mas já tem seus expoentes. É o caso das lavouras de Diego Badaró, que exporta amêndoas de cacau para fabricantes cujos cobiçados tabletes chegam a custar mais de 2 euros ainda no Velho Continente.

O fazendeiro negocia diretamente com as chocolateiras européias, como é o caso da marca francesa Pralus. "O nosso trabalho vai muito além do cultivo agrícola, pois tem inspiração na magia do chocolate, produzido por cacaueiros abrigados sob a copa da exuberante Mata Atlântica – a árvore dos frutos de ouro. Esta cultura foi construída com a mesma ferramenta da qual depende sua existência: o suor do homem do campo, para nós uma questão de respeito", afirma o fazendeiro.

,P align=justify> A diferença do cacau fino para o convencional está no manejo, que recebe uma atenção delicada em etapas como colheita, abertura, secagem e fermentação dos frutos. O processo como um todo é orgânico e mais lento, com a finalidade de apurar certas características bioquímicas das amêndoas. Conseqüentemente, isso implica uma produtividade menor em volume, mas de excelente qualidade, muito valorizada e de menor impacto ambiental. A natureza do deleite faz parte da cadeia produtiva desde a produção até os paladares mais sofisticados na França, na Alemanha, na Itália, na Bélgica e nos Estados Unidos.

Com a mentalidade de um empreendedor contemporâneo, consciente da necessidade de implementar-se uma economia com base sustentável, Badaró aplica em suas lavouras princípios conservacionistas e de inclusão dos trabalhadores nos ganhos da produção. "Nas nossas fazendas todos são parceiros, ganham por produção e conseqüente classificação dos lotes especiais.

Além disso, por ser um método de produção orgânica, os nossos 30 parceiros não entram em contato algum com produtos químicos, aumentando a qualidade de vida e a proteção à saúde. Com o intuito de garantir a qualidade durante o processo, todos recebem treinamento durante o ano em agricultura orgânica, sistemas agroflorestais, colheita e póscolheita de qualidade e ainda têm acesso a assistência médica e ensino escolar", conta o produtor.

CABRUCA - A cabruca é um tradicional sistema de plantio do cacau em meio à mata que, casualmente, é bastante atual, por seu caráter preservacionista. Consiste em plantar os cacaueiros à sombra das árvores nativas, desbastando ligeiramente a floresta. O método foi adotado porque cria um ambiente favorável à lavoura e que dispensa o trabalhoso abate das árvores de grande porte.

Quase acidentalmente, encontrouse uma maneira de manter a plantação em equilíbrio com o ecossistema pré-existente, incorporada a seu ciclo natural. Com nome inspirado nesse mecanismo agroflorestal, a Cabruca é uma cooperativa formada há 7 anos por 60 pequenos e médios fazendeiros do sul da Bahia, reunidos em torno dos processos orgânicos, visando restabelecer a economia da região através de uma produção de alto valor agregado.

Fausto Pinheiro, diretor da Cabruca, informa que nas fazendas dos cooperados, além do cacau orgânico, se investe em outros produtos agrícolas nativos da Mata Atlântica, assim como de outras plantas que se adaptam bem às características do meio. "É o caso do cupuaçu, do açaí e da pupunha, plantas originárias da região amazônica, que estão oferecendo excelentes resultados na diversificação dos negócios.

Palmito envasado, levando a marca da cooperativa, já é uma realidade. Em breve, serão polpa de fruta congelada, doces, frutas desidratadas e até mesmo vinho de cacau, com certificação de origem", comemora. Há ainda o chocolate orgânico, 65% concentrado, produzido em pequena escala, por enquanto disponível apenas para demonstração em feiras e convenções de agronegócios, integrando a estratégia de busca por parceiros e investidores.

Pinheiro explica que, como a Cabruca ainda não dispõe de maquinário, o beneficiamento de toda a produção é feito pela pequena indústria local e a distribuição fica por conta da própria cooperativa. "Fazemos o possível para fugir do intermediário e chegar mais perto de um preço justo pela matéria-prima e para o consumidor final", resume o diretor.