Secagem de trigo sem perdas
Cuidados evitam alterações na qualidade dos grãos, como quebra, trincamento e cheiro de fumaça
A secagem adequada do trigo é essencial para manter produção de boa qualidade e diminuir perdas na venda da safra. A eliminação correta da água, em secadores artificiais, após a colheita, evita alterações nos grãos - trincamento, quebra, trigo queimado e cheiro de fumaça - e valoriza o produto. ''Condições impróprias de secagem e armazenagem podem comprometer uma safra inteira e o produtor corre o risco de ter a produção devolvida'', diz o pesquisador Irineu Lorini, da Embrapa Trigo. Normalmente, o grão colhido tem muita umidade, de 18% a 22%, e precisa passar pela secagem antes de ser armazenado. No secador, o nível de umidade baixa para cerca de 13%.
O produtor de trigo Mauro Not, de Tatuí (SP), adota cuidados desde a fase da colheita para evitar perdas. Ele planta trigo em 432 hectares e destina a produção para indústrias de panificação. ''Faço o ajuste das colhedoras e só trabalho com mão-de-obra capacitada.''
O ideal, afirma, é colher o trigo com teor de umidade entre 15% e 17%. ''É preciso colher com a lavoura no mesmo estágio de maturação e com nível de umidade semelhante', diz. ''Observo a umidade na hora da entrada no silo - que possui medidores eletrônicos, mais precisos.'' Not também separa as variedades de trigo. ''O que é de panificação seca separadamente do grão que vai para a indústria de biscoito.'''' Not tem dois silos próprios, com capacidade de armazenagem diária de 6 mil sacas de trigo e secagem de 3 mil sacas/dia.
FORNALHA
No Rio Grande do Sul, o método de secagem mais utilizado é com a queima de lenha em fornalhas. Nesse sistema, o risco é passar fumaça para os grãos e deixar cheiro. ''Para que o sistema passe apenas calor é importante manejar a fonte de energia corretamente'', diz Lorini. ''Lenha úmida e verde provoca fumaça.'''' Além da lenha, há a opção de fazer a secagem com gás (GLP), que não deixa cheiro e é mais fácil de monitorar, mas custa mais.
Outra recomendação diz respeito à fornalha, que precisa estar com a temperatura bem regulada. Segundo o agrônomo Ricardo Ramos Martins, da Emater-RS, um cuidado básico é manter limpos os cinzeiros que ficam abaixo da grelha. '''Por lá passa o ar de combustão; se os cinzeiros não forem mantidos limpos, a passagem de ar fica obstruída e provoca fumaça.''
Ele também chama atenção para o abastecimento da fornalha, que deve ser regular. Não pode haver variações bruscas de temperatura e a lenha deve ser homogênea. O ideal é manter a temperatura na cama de combustão em 600 graus.
''É fundamental que a mão-de-obra seja capacitada, pois o sucesso do processo depende em grande parte da sensibilidade do operador da fornalha.'' Martins calcula que, na média, sejam feitos seis abastecimentos/hora. ''Assim como na natureza, a secagem mais lenta e a uma temperatura menor é o mais recomendável.''
FERNANDA YONEYA