Técnica é ideal para pequenos

23/08/2007

Técnica é ideal para pequenos

Média é de 30 marrecos por hectare. Em cultivos convencionais, com grandes extensões, uso da ave é inviável

O casamento aparentemente perfeito entre arrozeiros e o marreco-de-pequim está limitado a regiões como as de Torres, onde os agricultores trabalham em família no cultivo de pequenas áreas, sistematizadas, plantam o grão pré-germinado e dispõem de bons volumes de água, inclusive da chuva. Nas grandes lavouras da metade sul do Rio Grande do Sul, onde o cultivo é feito no método convencional, com plantio no seco e posterior cobertura de água, o uso das aves fica inviável, tanto porque o plantel teria de chegar aos milhões e não haveria onde ser descartado, quanto pelos cuidados que exige e pelo custo de manter a terra irrigada ao longo do ano.

No litoral norte, os produtores usam a média de 30 marrecos por hectare. Para fazer a ave 'trabalhar', basta soltá-la nas quadras, que devem ficar cobertas por uma pequena lâmina de água e cercadas por algum obstáculo que produz pequenas descargas elétricas para evitar fugas.

ARROZ VERMELHO

O marreco é comprado com poucos dias, a um custo próximo de R$ 5 cada e deve ser colocado no campo com cerca de 30 dias, já emplumado e capaz de fugir dos gaviões. Do fim da colheita, no verão, ao início do plantio subseqüente, poderá limpar diferentes lotes, sob a condução do agricultor. Entre todas as suas tarefas, talvez as principais sejam as de comer as sementes do arroz vermelho, evitando que elas germinem e cresçam disputando os nutrientes do solo com o arroz branco, e as ovas de caramujo, evitando que o molusco se desenvolva e ataque os brotos. Mas também está a de eliminar a palha da colheita anterior e a de revolver a terra com o bico.

O uso do marreco deve obedecer a uma rotação, para que a terra não fique permanentemente inundada e possa passar algum tempo secando e endurecendo. 'O produtor costuma identificar as áreas mais infestadas (de sementes de plantas daninhas ou de pragas) e colocar marrecos apenas nelas', observa o técnico agrícola Vicente Oliveira, chefe do escritório do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) em Torres. A presença dos marrecos tende a se tornar uma espécie de atestado vivo de que o arrozal não foi cultivado com veneno. Os gaviões, predadores naturais dos caramujos, não resistiram ao veneno e se tornaram raros.