Caravana sai em defesa de rio

24/08/2007

Caravana sai em defesa de rio

A Caravana em Defesa do Rio São Francisco chegará a Salvador na próxima quinta-feira com a missão de convencer o governo baiano a reavaliar seu apoio ao projeto federal de transposição de águas do rio, cujas obras já estão em fase preliminar. O grupo formado por 14 pessoas dos seis Estados cortados pelo Velho Chico, entre acadêmicos, médicos, pescadores e indígenas, já passou por quatro capitais e chega hoje ao Nordeste (Natal).

Em Salvador, os participantes vão realizar debate na reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e seguirão para o Palácio de Ondina, caso o governador JaquesWagner (PT) possa ou queira recebê-los. “Queremos discutir um tema de interesse da Bahia e do Brasil, buscando alternativas para o semiaacute;rido”, disse Yvonilde Medeiros, secretária-executiva do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, uma das participantes da caravana e professora da UFBa.

DEGRADAÇÃO – Para Yvonilde, a parcela da Bahia no semiaacute;rido já está sendo afetada pela degradação do rio e corre riscos adicionais caso a transposição ocorra. Segundo ela, o fato de municípios baianos da Bacia estarem sendo atendidos por carros-pipa é bem revelador.

O ministro da Integração Nacional, o baiano Geddel Vieira Lima, já declarou várias vezes que o projeto será realizado por ser uma decisão de governo respaldada pelas urnas. “Lamento que ele (Geddel) e o presidente Lula, dois nordestinos, sequer aceitem conversar sobre isso”, diz.

Ontem, durante o seminário I Integranordeste, realizado no município de Juazeiro, na Bahia, o ministro Geddel Vieira Lima falou sobre a transposição, garantindo que o trabalho “está andando normalmente com o Exército trabalhando na primeira etapa na obra. Acho que a população aos poucos vai entendendo, de forma clara, que esse é um projeto de desenvolvimento com características sociais e vai acabando com essa discussão apaixonada e ideológica de um projeto que vai trazer benefícios para o Nordeste e para a Bahia também”, concluiu.

O coordenador do movimento, Apolo Heringer, quer ampliar as discussões e impedir que o governo federal comece efetivamente as obras sem escutar as pessoas que vivem das águas do rio. Ele pede a realização de um plebiscito na Bacia do São Francisco. “As obras estão começando sem ouvir a opinião de quem será prejudicado”.

Heringer explicou que o projeto de transposição vai retirar 127 mil litros de água e, em um ano, o volume vai corresponder a mais que todo o consumo atual da população da bacia do rio. Para ele, a transposição será o “golpe final no Velho Chico”, que já está morrendo.

Estudo feito pela Agência Nacional de Águas (ANA) propõe obras que, segundo os especialistas, seriam mais baratas e eficientes.

A mobilização em defesa do rio começou no dia 19 e termina em 1º de setembro. Um dos inspiradores é o bispo diocesano de Barra (BA), Dom Frei Luiz Cappio.

PLEBISCITO – O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), garantiu a representantes do movimento pela emancipação do Oeste baiano que pretende colocar em pauta o decreto legislativo de Gonzaga Patriota (PSB-PE), que pede plebiscito sobre a criação do Estado do Rio São Francisco. Na tarde de quarta-feira, o autor da proposta guiou um grupo de políticos baianos até a CCJ, para entregar a Picciani um ofício pedindo a apreciação do tema. O grupo foi liderado pela deputada estadual Antônia Pedrosa (PRP), de Barreiras (BA).

SÍLVIO RIBAS