Estado verde: oportunidade de sucesso global

24/08/2007

Estado verde: oportunidade de sucesso global

Em visita recente à Bahia, o presidente da organização internacional Worldwatch Institute (WWI), Christopher Flavin, alertou o governador do estado, Jaques Wagner (PT), sobre a oportunidade que a Bahia tem de se integrar, rapidamente, ao que há de mais avançado em termos de promoção de avanços sócio-econômicos na administração pública: a chancela de estado verde.

De acordo com ele, o Estado tem todas as condições de alcançar tal status que tem como princípio básico o uso sustentável de riquezas (ativos) naturais, tanto já existentes quanto potenciais, com o objetivo de criação de trabalho e de fontes de renda, promovendo melhorias na qualidade de vida da população como um todo.

"A Bahia é muito rica em diversidade ambiental", aponta. "Tem cinco biomas (cerrado, caatinga, mata atlântica, costeiro e marinho), a maior quantidade de comunidades biológicas em um só estado no Brasil. Isso confere um diferencial único, que precisa ser mais bem explorado em prol do bem-estar da população." Flavin ressalta, porém, que não basta ao estado contar com diversidade natural para alcançar posição de destaque na ecoeconomia mundial. "É preciso promover políticas públicas que agreguem valor, de uma forma sustentável, ao que a natureza provém", afirma. "O importante é que os administradores baianos parecem ter vontade política para implementar os processos necessários para a criação e a consolidação de um Estado Verde." O presidente da WWI aponta o estado da Califórnia (EUA) como exemplo no processo de agregação de valor das potencialidades do território como vantagem competitiva.

E lembra: "Foi o incentivo e a firmeza do governador Arnold Schwarzenegger que fizeram com que a Califórnia se transformasse no melhor protótipo de estado verde".

Os avanços, porém, não foram conseguidos com facilidade, ressalta Flavin. "Quando o governo californiano resolveu propor uma nova lei, que determinava a redução em 25% de emissões de gases de efeito estufa nas indústrias do estado até 2020, as pressões que a indústria instalada fez foram imensas", lembra.

"Houve ameaças de todo tipo contra a decisão de descarbonização da economia, como demissões em massa e fechamento de unidades produtivas. Os sindicatos, com medo, também se posicionaram contra a proposta, pelo medo da perda de postos de trabalho." A "virada" da proposta veio com o apoio das indústrias da chamada nova economia ao projeto de lei.

"empresas como Microsoft e Google entenderam o projeto do governo e passaram a apoiar a proposta, que, então, passou a ser mais bem vista pela população", lembra o presidente da WWI. O resultado: promulgada em setembro de 2006, a lei não só conta com o apoio da maioria da população, como já começa a trazer benefícios para a sociedade como um todo. "Muitas indústrias de outros estados norte-americanos e até de outros países montam projetos, em ritmo acelerado, de construção de fábricas na Califórnia. O conceito de estado verde agrega valor a elas e determinam uma vantagem competitiva a suas linhas de produção em escala global." As próprias empresas já instaladas no estado norteamericano, segundo Flavin, também passaram a se preocupar com a melhoria de processos e produtos, para se adequar à nova legislação e permitir mais benefícios ao meio ambiente.

Um dos exemplos da pesquisa e das melhorias em torno dos econegócios é o sistema operacional Windows Vista, lançado pela Microsoft no início do ano.

Comparado ao sistema anterior (Windows XP), o novo programa permite às empresas uma economia anual média de US$ 90,50 em energia elétrica por computador. Em uma empresa com 200 máquinas, por exemplo, isso representa uma economia de 45 mil toneladas de carbono emitidas por ano.

BAHIA Apesar de ter a sexta mais importante economia brasileira, com PIB anual de US$ 46 bilhões, a Bahia ainda está muito longe da Califórnia em termos de produção de bens e serviços – o PIB anual californiano, de US$ 1,56 trilhão, é quase 50% maior que todo o PIB brasileiro, de US$ 1,07 trilhão.

Segundo os especialistas, porém, há oportunidades imediatas para que o Estado integre a onda dos econegócios – e seja o pioneira no país, atraindo para o local empresas globais interessadas em agregar valor a suas operações.

A exploração sustentável do turismo, aproveitando os cinco biomas existentes, e a produção de biodiesel, com o uso de plantas oleaginosas que se adaptam bem ao solo baiano, tomam a dianteira no processo. "Estamos atuando, porém, em todas as áreas, promovendo, junto com o WWI, debates com administradores públicos e com a iniciativa privada para disseminar a idéia de sustentabilidade", afirma o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia, Juliano Matos.

Uma mostra das intenções da administração pública da Bahia nos econegócios foi o lançamento, em junho, do selo Carbono Zero. O primeiro a receber a certificação foi o próprio avião do governador, que vai ter as emissões de carbono na atmosfera anuladas com o plantio de 29,3 mil mudas de espécies nativas em uma reserva de mata atlântica do estado. "O ato simbólico sinaliza para uma nova proposta de gestão ambiental no estado", afirmou, à época, o governador Jaques Wagner.

A administração estadual, então, lançou editais para que entidades de qualquer natureza apresentem projetos de seqüestro de carbono, que receberão certificação internacional – assumindo, assim, posição de destaque no mercado global de econegócios. "Esse é só o início de um processo que estamos fundamentando no estado", garante o superintendente de Biodiversidade, Florestas e Unidades de Conservação, órgão da Secretaria de Meio Ambiente, Marcos Ferreira.