Exportação esbarra na logística

27/08/2007

Exportação esbarra na logística

A logística dos transportes – com estradas deterioradas, portos deficientes e falta de aeroportos com capacidade para aviões cargueiros – é o principal entrave para que a produção agrícola da região oeste do Estado, que na safra 2006/2007 ultrapassou cinco milhões de toneladas, chegue aos mercados consumidores, tanto interno quanto externo.

A viabilização desta logística foi a principal reivindicação dos participantes da 10ª edição do Seminário do Agronegócio para a Exportação, realizado dia 23 em Barreiras. O encontro, promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), contudo, não respondeu a este questionamento, pois foi voltado para divulgar as ferramentas de auxílio ao comércio exterior e mostrar como a integração entre os agentes da cadeia produtiva pode beneficiar os negócios.

De acordo com o secretário de relações internacionais do Mapa, Célio Porto, “toda região distante dos portos tem dificuldade de escoamento da produção e fica refém da logística. Nosso foco é mostrar aos produtores como se organizar e quais as exigências do mercado internacional”.

As exportações do agronegócio brasileiro, diz, começaram a crescer no ano de 2000, quando houve desvalorização cambial. “Ficava a impressão de que aquilo era efeito do câmbio. Apesar de o câmbio estar desfavorável para exportações, elas continuam aumentando e isso mostra que os produtores brasileiros estão cada vez mais aptos a atender a esta demanda internacional crescente”.

Coordenador do Núcleo de Integração para exportação do Mapa, Daniel Amin Ferraz frisou que a necessidade de aumentar a competitividade está unindo os produtores. “Não atuam mais isoladamente no mercado e buscam soluções em conjunto, para alcançar escala e vencer as dificuldades”.

REALIDADE – A região do médio São Francisco tem uma área em produção que ultrapassa dois milhões de hectares, com predominância para grãos e fibras produzidos no cerrado, somando 4.624.738 toneladas, das quais 40% se destinam à exportação.

A fruticultura ocupa uma área de quase 30 mil hectares, sendo 4,3 mil hectares no cerrado e 29.933 hectares nos perímetros irrigados da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, onde se produz 72 mil toneladas/ ano. Só a região de Bom Jesus da Lapa vende cerca de mil caminhões de banana por mês. Por semana são exportadas entre duas a três mil caixas para a Argentina.

Também o mercado europeu está entrando no circuito, por enquanto, em fase de testes. De acordo com o fruticultor e diretor da Banana da Bahia, Ervino Kogler, a comercialização para os mercados externo e interno está comprometida. “Para qualquer lugar que vamos sair com a produção, temos que enfrentar as condições precárias das estradas. Se vamos em direção ao porto de Salvador, passamos pela BA-172 (entre Bom Jesus da Lapa e Ibotirama) que está em estado lastimável”.

Já para os principais mercados consumidores da banana do médio São Francisco (Brasília, Goiânia e São Paulo) têm que passar pela BA-340, por Santa Maria da Vitória. “Isso aumenta o frete em pelo menos 30%”, disse Kogler, acrescentando que o porto de Salvador também não atende às necessidades dos produtores, “porque tem poucas rotas para a Europa”.

“Nossa logística de transporte é complicada, pois estamos a mais de mil km do porto de Ilhéus e 870 km de Salvador. Para facilitar a exportação de frutas a região precisa de um aeroporto com capacidade para pouso e decolagem de cargueiros e para isso a pista de Barreiras deve ser ampliada para 2.500 m”, enfatizou o presidente da Cooperativa dos Criadores de Avestruz da Bahia, Adenilson Arruda.

Para ele, a falta desta rota de cargueiros atrapalha o crescimento da economia regional. “O oeste da Bahia necessita com urgência se integrar à rota já existente no pólo de Juazeiro/Petrolina, para deslanchar a fruticultura, que ainda tem um mercado restrito e é prejudicado também pela falta de indústrias de beneficiamento, que devem agregar valor à produção”, afirmou Arruda.

PORTO – O fruticultor Roberto Pieczur ressaltou que, apesar de melhora na pista da BR-242, que liga o oeste da Bahia ao litoral, “para deslanchar a exportação é preciso que se façam melhorias no porto de Salvador”. Pieczur destacou que os custos de logística são muito altos “e ultrapassam 70% do total do que é arrecadado com a venda, entre transporte terrestre até o porto, serviço aduaneiro e navio. Desta forma, não se consegue pagar os custos de produção”.

Diretor do Departamento de Frutas da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia, (Aiba), Danilo Kumagai afirmou que, além dos problemas crônicos de logística de escoamento, existe a necessidade de o Mapa fazer um trabalho de certificação dos produtos.

“Não temos na região um escritório que se destine a certificar a sanidade das frutas, que é uma exigência para qualquer mercado externo e continua sendo uma deficiência da nossa região".

MIRIAM HERMES