Extremo sul quer aumentar produção de mel

27/08/2007

Extremo sul quer aumentar produção de mel

Organização é um fator decisivo para a sobrevivência do negócio Extremo sul quer aumentar produção

Os apicultores do extremo sul do Estado estão descobrindo que podem extrair mais um benefício das abelhas: a sua habilidade de organização. Cada vez mais, os produtores buscam formas de se organizar para aumentar a produção, conquistar novos mercados e melhorar as margens de lucro, especialmente no que se refere à comercialização do mel.

Em Eunápolis (a 640 km de Salvador), e nos municípios vizinhos de Belmonte, Guaratinga e Itabela, há cerca de 120 apicultores em atuação, sendo que cerca de 90% deles estão constituídos em associações, segundo estimativa da Associação dos Apicultores de Eunápolis (Asoape), a maior da região.

Para Jorge Luís São Leopoldo, presidente da Asoape, a organização do setor é um fator decisivo para a sobrevivência do negócio. “O próprio mercado provoca uma seleção natural, pois o apicultor isolado fica sem referência para os compradores no que diz respeito à quantidade e qualidade dos produtos”, diz.

Segundo Leopoldo, é preciso ter uma quantidade maior dos produtos – seja mel, própolis ou pólen – para justificar os custos de transporte e os impostos pagos pelos compradores. “Conseguimos negociar melhor a compra de insumos para desenvolver as atividades”, diz São Leopoldo.

COLMÉIAS – Estima-se que em Eunápolis e cidades vizinhas haja cerca de 2.500 colméias em operação. A maioria dividida entre pequenos produtores, que possuem, em média, 20 colméias cada um. É pouco, diante do potencial local.

“Se considerarmos a capacidade de produção em relação ao que existe de Mata Atlântica e eucalipto na região, podemos produzir mais de 300 toneladas de mel por ano. Por enquanto, só produzimos 32 toneladas”, afirma o apicultor.

A realidade no extremo sul da Bahia não é muito diferente daquela encontrada em outras regiões do Brasil. As estatísticas revelam que, atualmente, são explorados apenas 15% do potencial da flora apícola.

“Estima-se que o Brasil tenha um potencial inexplorado de, pelo menos, 200 mil toneladas de mel, além dos demais derivados”, diz Marcos Dantas, consultor do Sebrae e membro da Câmara Técnica de Apicultura (CTA).

O momento é de otimismo para os produtores da região de Teixeira de Freitas e Mucuri (respectivamente a 790 km e 905 km de Salvador, no extremo sul). Eles festejaram a criação, dia 10, da Cooperativa de Apicultura e Meliponicultura do Extremo Sul da Bahia (Coopamel), com sede em Mucuri. Márcio Bremer, presidente da cooperativa, espera que os cooperados, unidos, possam somar experiências para diminuir custos e atrair incentivos.

Valeriano Silotti, de 69 anos, é um dos cooperados. Para ele, que iniciou a atividade achando que “apicultura era coisa de malandro, porque não era só a abelha que trabalhava”, a apicultura hoje exige profissionalismo e união. “Onde há ordem há progresso. Quanto se tem quantidade e qualidade é mais fácil fechar negócios”, diz Silotti.

Os desafios de Valeriano e dos demais cooperados, espalhados em mais de 20 municípios do extremo sul e organizados em sete associações, serão praticamente os mesmos de todo o setor. Eles terão de enfrentar dois gargalos principais: “Falta de política de preços específica, que leve à redução de impostos sobre a produção e comercialização do produto, e a necessidade de fazer com que o mel seja percebido como alimento e não como remédio”, destaca.

Movimento pela organização envolve todo o Estado

A organização do setor apícola, baseada na construção coletiva e no fortalecimento das entidades representativas, foi o tema principal do IV Congresso Baiano de Apicultura, que reuniu, em Porto Seguro, entre os dias 14 e 17, mais de 500 pessoas, entre técnicos, produtores, especialistas e estudiosos do setor.

Durante o evento, a Secretaria de Agricultura (Seagri) divulgou o Programa de Desenvolvimento Estratégico de Apicultura no Estado da Bahia para os próximos quatro anos, elaborado a partir do estudo da cadeia produtiva e que aponta os desafios para o desenvolvimento do setor quanto à produção, processamento e comercialização.

O programa também indica as ações a serem desenvolvidas para transformar a Bahia no maior produtor de mel do Nordeste. Atualmente, o Estado é o terceiro produtor de mel, atrás de Piauí e Ceará. De acordo com a Seagri, “o planejamento aponta como prioridades a adoção de técnicas de manejo modernas e adequadas a cada região apícola, acesso às casas de mel e à diversificação da p ro d u ç ã o ” .

Marcos Dantas, da CTA, revelou que mais de 50% da comercialização dos produtos apícolas no Estado é feita via entidade associativa. Há muito a avançar, especialmente na utilização de assistência técnica.

Segundo Dantas, 47% dos apicultores recebem assistência técnica eventualmente e apenas 13% são assistidos em caráter permanente. Já os produtos que não recebem qualquer tipo de assistência correspondem a 40% do total.

 

GLEISON REZENDE