Oeste baiano atrai indústria de fiação

27/08/2007

Oeste baiano atrai indústria de fiação

A Expocotton 2007, feira do algodão de São Desidério, que termina hoje no distrito de Roda Velha (a 1.100 km de Salvador, no oeste do Estado), expôs o potencial do município, que, na última safra, produziu 50% do algodão baiano e 12% do algodão brasileiro, sendo apontado pelo IBGE como o maior produtor do País, com 112 mil hectares plantados e cerca de 450 mil toneladas colhidas na safra 2006/2007.

Dos industriais mineiros do ramo de fiação e tecelagem convidados para o evento, um deles já sinalizou um projeto para a instalação de uma indústria de médio porte na região, com capacidade de gerar 171 empregos diretos. Segundo o secretário municipal de Agricultura, Genivaldo de Assis, “em breve virão outros, pois Minas tem mais de 30 indústrias de fiação e tecelagem que sofrem com a falta de oferta de matéria-prima, enquanto que nós temos esse material em abundância”.

Ele informou que o município abastece, além das indústrias de Minas Gerais, algumas de São Paulo e dos Estados da Região Sul.

“Nós não queremos mais ser produtor primário somente. Queremos industrializar para gerar impostos, emprego e renda, pois não é admissível que o algodão bruto saia daqui e retorne como tecido, se o tecido pode ser produzido aqui mesmo”, enfatizou Assis.

Dentro do município de São Desidério, a região do distrito de Roda Velha concentra pelo menos 74 produtores da fibra, bem como 20 beneficiadoras de algodão, gerando mais de mil empregos diretos e três mil indiretos. O povoado, que surgiu com a chegada dos agricultores na década de 80, possui um comércio ativo e recebeu, no dia de abertura da Expocotton, a sua primeira agência bancária, fato comemorado por toda a comunidade.

CERTIFICAÇÃO – Ontem, os visitantes da Expocotton puderam conhecer o funcionamento de certificação de algodão dos laboratórios da empresa Kulhmann, com capacidade de analisar 12 mil fardos por dia. A certificação, segundo o gerente da empresa na Bahia, Fernando André Schmidt, é obrigatória para o algodão que se destina à exportação “e já é muito utilizada também para a comercialização com o mercado interno.

Ele destacou que, no ano passado, foram analisados 500 mil fardos de algodão e, este ano, somente até o mês de julho, já foram certificados mais de 400 mil fardos. O processamento, feito com máquinas High Volume Instrument (HVI), que significa alto volume de análise, se baseia em um padrão desenvolvido nos Estados Unidos e adotado em todo o mundo.

De acordo com Schmidt, a região está apresentando uma grande evolução na qualidade, e 90% das amostras avaliadas são de excelente qualidade, com uniformidade, cor, resistência, brilho e comprimento das fibras bem aceitas pelo mercado internacional. Os tratos culturais, a variedade e a quantidade de água que a planta absorve durante o crescimento, são os principais fatores que influenciam na qualidade final do produto.

MIRIAM HERMES