Pós-colheita apresenta mais qualidade

27/08/2007

Pós-colheita apresenta mais qualidade

Testes conduzidos pelos pesquisadores da Embrapa SemiAacute;rido em Petrolina (PE) mostram que um composto de nome dextrina, formado a partir da degradação do amido, tem boa eficiência na conservação pós-colheita de manga da variedade Tommy Atkins. Os frutos revestidos com soluções que contêm o composto mantiveram a qualidade comercial da fruta por um prazo de até 30 dias.

Destes, 20 sob condições de armazenamento em câmara fria e 10 em temperatura ambiente. De acordo com os pesquisadores, o resultado é considerado bom e é semelhante aos obtidos nas empresas exportadoras na região do Submédio São Francisco.

A pesquisadora Maria Auxiliadora Coelho Lima, que atua na área de Fisiologia e Tecnologia Pós-Colheita da Embrapa SemiÁrido afirma que o tratamento complementar à refrigeração usado pelas empresas na conservação dos frutos é a cera, que contém aditivos sintéticos, alguns deles conferindo um forte odor durante a aplicação. “Estudos também indicam benefícios com a utilização do amido de mandioca, embora ainda não se tenha obtido um produto comercial que permitisse a formação de uma película uniforme na superfície dos frutos”, informa.

SOLÚVEL – Avaliações realizadas desde o ano passado no laboratório de Fisiologia Pós-colheita da Embrapa revelam que a dextrina não apresentou nenhum problema e, além disso, “tem a qualidade de ser solúvel em água na temperatura ambiente, bastando dissolver na água que está pronta para ser pulverizada sobre os frutos.

O preparo do amido, por sua vez, requer o aquecimento da água até 70º C, em média, para sua dissolução, formando um gel”, esclarece a pesquisadora da Embrapa, Maria Auxiliadora. A necessidade de esquentar a água requer investimentos em tanques de aquecimento, diante da grande quantidade de frutos que precisam ser tratados no sentido de prolongar a vida útil até a ida ao mercado.

Auxiliadora explica que a cera, o amido e a dextrina são usados na forma líquida e aplicados nos frutos para formar uma camada de revestimento que limita a perda de água do fruto e a entrada do oxigênio que acelera o amadurecimento, reduzindo a suscetibilidade à penetração de microorganismos.

“Assim, o período de conservação aumenta e, quando incluem uma substância lipídica (óleo) na composição, intensificam o brilho da casca da manga, o que favorece a aparência das frutas durante sua exposição no mercado”, garante.

Este é um dos principais procedimentos pós-colheita que valorizam a qualidade da fruta, diz, com demanda de investimentos em recursos técnicos e desenvolvimento de materiais de baixo custo

Tommy Atkins é um tipo de manga originária da Flórida (Estados Unidos), possui fruto de tamanho médio para grande. A manga apresenta coloração do fruto atraente, tem polpa firme, suculenta, e teor de fibra médio. Precoce, amadurece bem se colhido imaturo.

Apresenta ainda facilidade para indução floral em época quente, alta produtividade e boa vida de prateleira. Essa variedade representa 90% das exportações de manga no Brasil. É uma das variedades mais cultivadas mundialmente para exportação. No Submédio São Francisco, onde são colhidos mais de 90% desta fruta exportada pelo Brasil, a variedade Tommy Atkins ocupa, atualmente, 95% dos 40 mil hectares cultivados.

Vale do São Francisco é o maior exportador da fruta no Brasil

Os técnicos consideram a manga uma fruta climatérica, já que, após aumento de produção de etileno, o processo de amadurecimento é acelerado em pelo menos sete dias, correndo o risco de apodrecerem se não forem consumidas.

A pesquisadora Maria Auxiliadora alerta que, durante o período, a fruta só chega em boas condições comerciais aos mercados de destino, a exemplo dos Estados Unidos, países da União Européia e Japão, se forem enviadas via transporte aéreo. “As exportações através de navios ficam inviabilizadas pelo tempo médio de 15 dias que levam para se deslocar de portos no Nordeste até esses locais”, assegura.

Ela chama a atenção para o fato de que, por ser o Vale do São Francisco o maior exportador de manga do País, é aportado grande volume de recursos em tecnologias para aumento de produção nos pomares, bem como “fortes investimentos também são feitos na montagem de sofisticada infra-estrutura para tratamento de conservação, embalagem e armazenamento dos frutos colhidos”, destaca.

Dados de 2006 revelam que já existiam cerca de 22 packings houses com equipamentos informatizados. Números da Associação dos Produtores Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport) revelam que em 2005 existiam cerca de 160 mil/m² instalados na região, com recursos de US$ 58,5 milhões. A capacidade frigorífica das packing houses é de 68.200 m³, a um custo de US$ 65,4 milhões

CRISTINA LAURA