Produção de café sofre queda de 23%
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmou, ontem, a queda de quase 10 milhões de sacas na produção brasileira de café na safra 2007/08, que está praticamente colhida. O terceiro levantamento da estatal indicou colheita de 32,625 milhões de sacas de 60 quilos de café no ano, redução de 23,2% em comparação ao ano-safra anterior.
O secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, citou três fatores para justificar a queda. O primeiro é a bianualidade negativa da cultura, ou seja, a colheita de grandes volumes num ano e a queda acentuada no período seguinte. Os outros dois fatores que influenciaram de forma negativa a produção de café são climáticos.
Entre os meses de março e setembro do ano passado, a falta de chuvas afetou o processo de floração dos cafezais, e nos meses de dezembro e janeiro deste ano, o excesso de chuvas propiciou o aparecimento de pragas e doenças. A previsão divulgada ontem indica produção de 22,524 milhões de sacas de arábica, grão mais valorizado nos mercados interno e externo, e de 10,101 milhões de sacas de robusta.
Minas Gerais continua sendo o Estado que mais produz café: 45,3% da safra nacional. O Espírito Santo é o segundo maior produtor, com 29,2%. Os capixabas produzem principalmente café robusta.
Bertone disse que haverá pouca disponibilidade de café até a entrada da próxima safra, a partir de abril do próximo ano, redução que refletirá nos volumes embarcados pelo Brasil. Nos últimos anos, os embarques anuais totalizaram cerca de 28 milhões de sacas, mas números da iniciativa privada indicam que as exportações somarão 25 milhões de sacas neste ano. Até julho, as exportações somaram 13,924 milhões de sacas, informou o ministér io.
Na avaliação do secretário, a produção menor não vai resultar em aumento de preços no mercado interno. “O mercado interno não será prejudicado”, garantiu. Ele lembrou que o governo tem 1,2 milhão de sacas em estoque e que esses grãos poderão ser vendidos.
FABÍOLA SALVADOR