Após recuo, fundos voltam aos produtos agricolas
Na semana encerrada no dia 21 houve debandada geral dos fundos de investimento das commodities agrícolas nas bolsas internacionais. Segundo relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), os fundos saíram de todos os papéis. No entanto, a partir de terça-feira, boa parti dos produtos recuperou as perdas da semana anterior. O melhor desempenho no período foi do trigo. Os contratos com vencimento em dezembro foram cotados a 742 centavos de dólar por bushel na Bolsa de Chicago (CBOT), com alta acumulada de 7,84% na semana e 0,40% em relação ao dia anterior.
"As commodities agrícolas mostram força e os fundos retomam às bolsas após a melhoria do humor do mercado financeiro. Trata-se de uma aposta segura, rentável e atrativa", avalia Fábio Turquino Barros, analista da AgraFNP. Ele acredita que o "boom da turbulência" já passou.
O melhor desempenho do trigo em Chicago, entre as demais commodities durante a semana, reflete o quadro mundial apertado entre a oferta e demanda, segundo o analista da Safras & Mercado, Élcio Bento. Ele lembrou da estimativa do Conselho Internacional de Grãos, anunciada na semana passada, que apontou produção mundial de 607 milhões de toneladas de trigo na safra atual, 3 milliões menos que as 610 milhões previstas anterionl1ente pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). Isso fez com que as previsões para os estoques caíssem para 11 O milhões de toneladas, os mais baixos dos últimos 28 anos. "Esse movimento dá suporte ao cenário altista dos preços do trigo", disse Bento.
O relatório CFTC mostTa que a movimentação dos ftmdos foi maior no algodão - perda de 15.035 contratos futuros em relação à semana anterior - e a soja - 13.458 papéis menos ambos na posição comprada. Nessa posição, os fundos representam em média quase 30% dos papéis, enquanto na venda ficam entre 10% a 15%, dependendo da commodity. "A soja foi um dos produtos que mais sofreu especulação, enquanto o milho e o trigo conseguiram 'se segurar' pelos fundos talentos do mercado", acredita Barros. A saída nestes dois grãos foi de 8,4 mil e 1,9 mil contratos na semana encerrada dia 21 de agosto.
"Praticamente O que caiu na semana retrasada subiu agora. Houve um retomo parcial dos fundos", diz o diretor de Produção da Safras & Mercado, Flávio França Júnior. Segundo ele, na semana anterior houve "liquidação pesada" dos ftrndos diante das perdas acumuladas no sistema financeiro. "Eles se recolheram esperando passar o tumulto. E agora gradativamente o dinheiro especulativo está voltando", acredita França Júnior.
Ele diz que parti da recuperação da soja na última semana foi pelo retomo dos fundos e pela volta "dos fundamentos de mercado", no caso impulsionados pelo clima irregular nos Estados Unidos, com chuva no Meio-Oeste e seca no SuL. A soja, para novembro, fechou sexta-feira a 865 centavos de dólar por bushel na CBOT, com alta de 4,59% na Sematla e 0,81 sobre o dia anterior. O milho subiu 3,75% na semana e teve queda de 0,80% em relação ao fechamento da véspera em Chicago.