Cafeicultura ganha novo reforço de crédito

28/08/2007

Cafeicultura ganha novo reforço de crédito

A liberação de mais R$62,7 milhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) foi comemorada por produtores baianos. O setor ainda se recupera da desvalorização do grão, provocada pelo excesso de produção nos últimos anos em todo o mundo. A situação foi agravada com a queda do dólar e reajuste dos insumos, como óleo diesel e energia elétrica. Do total dos recursos, R$60 milhões foram repassados ao Banco Cooperativo do Brasil (Bancoop), para crédito de estocagem, e R$2,7 milhões ao Banco Safra, sendo R$2,5 milhões para o Financiamento para Aquisição de Café (FAC) e R$200 mil para a colheita.

O presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes Araújo, diz que os recursos chegaram em boa hora, mas critica o excesso de burocracia para concessão dos empréstimos. “O rigor é muito grande e, por isso, até tem sobrado dinheiro. Além das exigências mais comuns, como ausência de restrições cadastrais, os bancos não liberam para quem fez prorrogação de prazo de pagamento de outros empréstimos, alegando que o produtor está sem capacidade de pagamento”, reclama.

Araújo ressalta que a Bahia é hoje o terceiro maior produtor de café do país, com 2,2 milhões de sacas/ano, sendo as regiões oeste e de Vitória da Conquista as maiores produtoras.

Cafeicultor do município de Bonito, na região da Chapada Diamantina, Manuelito Ribeiro de Novais salienta a importância do crédito para elevar a produção. “Esses recursos possibilitam um investimento maior na lavoura, com maiores tratos e, conseqüentemente, maiores possibilidades de obter lucro. Dá fôlego até mesmo para os produtores endividados”, declara.

De acordo com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), desde janeiro, o governo já transferiu para os agentes financeiros conveniados R$950,2 milhões, de um orçamento de R$2,026 bilhões do Funcafé para este ano. “Esse orçamento teve um acréscimo de quase 30% em relação ao de 2006, de R$1,578 bilhão, e a previsão é que chegue a R$2,56 bilhões em 2008”, destaca o diretor do Departamento do Café (Dcaf) da Secretaria de Produção e Agroenergia, Lucas Tadeu Ferreira.

Esses recursos, explica Ferreira, são procedentes da arrecadação com a venda dos estoques do fundo e do retorno dos empréstimos, e se destinam ao financiamento de custeio, colheita, estocagem e financiamento para aquisição de café. Segundo o diretor, dos R$950,2 milhões do Funcafé liberados até agora, R$413 milhões foram para colheita, R$356,4 milhões para estocagem, R$165,5 milhões para FAC e R$15,1 milhões para custeio.

ADRIANA PATROCÍNIO