Colômbia quer parceria para álcool

28/08/2007

Colômbia quer parceria para álcool


Apesar das investidas do governo colombiano em buscar no Brasil possíveis investidores para produzir álcool naquele país, ainda há muita resistência dos empresários brasileiros em fazer aportes em usinas na Colômbia. Um dos motivos alegados por empresários ouvidos pelo Valor é a falta de segurança. 

Há pelo menos dois anos, a Colômbia deu início a um programa de produção de biocombustíveis no país. A produção nacional de cana ocupa cerca de 205 mil hectares, com 21 milhões de toneladas de cana, de acordo com informações de Claudia Calero, diretora da Assocaña (Associação dos Produtores de Cana da Colômbia). A produção de álcool no país é de 270 milhões de litros de álcool e a de açúcar é de 1,7 milhão de toneladas. 

Em visita ao Brasil na semana passada, o ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Fernando Araújo, informou que o país tem disponível cerca de 3 milhões de hectares para a produção de cana-de-açúcar. Araújo quer atrair investimentos estrangeiros para elevar a produção de álcool naquele país. 

Segundo Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, a produção de cana da Colômbia ainda está restrita ao Departamento (Estado) do Vale do Cauca. "Essa região é uma das mais produtivas do mundo", disse. A produtividade por hectare gira entre 105 e 110 toneladas de cana por hectare. Em São Paulo, por exemplo, a produtividade gira entre 80 e 90 toneladas por hectare. "Não há outras regiões com tradição em cana naquele país". 

Júlio César Bera Diaz, diretor de hidrocarbuneto do Ministério de Minas e Energia da Colômbia, disse, em entrevista por telefone, que a Colômbia quer ocupar 1 milhão de hectares com cana e outros 2 milhões de hectares com culturas propícias à produção de biodiesel. Segundo ele, a palma é uma das apostos do governo colombiano para avançar em biodiesel naquele país. "Tivemos algumas sondagens de empresários brasileiros, mas nenhum projeto concreto foi fechado", disse Diaz. 

O Valor ouviu três grandes grupos brasileiros. Todos disseram que apesar da boa produtividade para cana no país, não há interesse de se investir em usinas lá. "Um dos fatores é a falta de segurança. Teria de andar com carro blindado e segurança por lá", disse um empresário paulista. 

MÔNICA SCARAMUZZO