Festival tem meta de negociar 75 mil litros de cachaça
Evento, que acontecerá em Abaíra, objetiva também discutir a informalidade de 99% que atinge o setor
Localizado na Chapada Diamantina, o município de Abaíra, a 592 quilômetros de Salvador, será transformado na capital baiana da cachaça de 13 a 17 de setembro, quando acontece a 11ª edição do já tradicional Festival da Cachaça. Além de shows e feira de produtos derivados de cana-de-açúcar, haverá uma rodada de negócios com expectativa de vender até 75 mil litros de cachaça. No ano passado, segundo o presidente da Cooperativa dos Produtores de Aguardente de Qualidade da Microrregião de Abaíra (Copama), Evaristo Carneiro de Souza, o evento possibilitou a comercialização de 40 mil litros.
O público aguardado é superior a 20 mil pessoas, por conta da grade de shows que inclui atrações como Amado Batista, Adelmário Coelho, Limão com Mel e Rasta Chinela.
Festas à parte, o Festival da Cachaça, que ganhou dimensão estadual, é o momento apropriado para os produtores baianos discutirem seus problemas, como a informalidade que atinge 99% dos alambiques e a necessidade de incentivos para a exportação.
O estado é o segundo maior produtor nacional de cachaça de alambique, com cerca de 50 milhões de litros produzidos anualmente por aproximadamente sete mil estabelecimentos produtivos, que geram perto de 35 mil empregos.
No dia 13, os produtores participam do Dia de campo, quando consultores da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) darão orientação técnica e falarão sobre a industrialização de cachaça de qualidade. “Um dos maiores problemas que enfrentamos é a informalidade e queremos o apoio do governo estadual para trazer esse pessoal para a formalidade”, frisou Evaristo Souza, apelando aos consumidores para que colaborem exigindo a procedência do produto que estiver adquirindo.
O município de Abaíra é o maior produtor do estado. A cachaça representa, segundo o presidente da Copama, 60% da economia local. Dos cerca de mil produtores da microrregião, formada ainda pelos municípios de Piatã, Jussiape e Mucugê, 140 são sócios da Cooperativa que produz a marca Abaíra, a mais conhecida da Bahia, com uma produção anual estimada em 100 mil litros. “Temos capacidade instalada para 300 mil litros por ano e nossa meta é atingir isso até o final de 2008”, traçou Evaristo Souza, citando como uma das estratégias para cumprir a meta a adesão de novos produtores que ainda estão na informalidade.
A Cachaça Abaíra já foi exportada, mas não de forma contínua. Com o objetivo de apoiar os produtores nessa tarefa e incentivar o setor, o governo estadual lançou em março o Plano de Ações dos Derivados de Cana-de-Açúcar, que tem um orçamento de R$6 milhões para o biênio 2007/2008
MÔNICA BICHARA