Ministro Stephanes pede cautela aos produtores

28/08/2007

Ministro Stephanes pede cautela aos produtores

As perspectivas para a agricultura são boas na próxima safra. Além das condições favoráveis à produção internamente, o setor conta com dois incentivos extras vindos de fora: demanda mundial aquecida e avanço dos biocombustíveis. "Agora, além de sermos grande produtor e competidor em grãos e em carnes, seremos também, possivelmente, no álcool e no biodiesel." A avaliação é de Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura.

Mesmo com o cenário de boas perspectivas a médio e longo prazos, o ministro faz um alerta: o produtor precisa ter cautela para evitar condições desfavoráveis como as da recente crise que afetou o setor. Na "ótima safra de 2003", houve um erro duplo, segundo o ministro. "Primeiro, a euforia do produtor. Segundo, os próprios vendedores de máquinas procuraram criar um clima favorável para que eles pudessem vender muito."

Apesar de toda essa perspectiva de médio e longo prazos ser muito boa -e o ministério tem estudos indicando aumento de consumo para os próximos anos-, o ministro diz que "cautela sempre é bom".

Avaliando as condições do momento, Stephanes diz que internamente é natural que o agricultor esteja animado porque vem de um cenário positivo da safra que se encerra. Já externamente, um dos fatores positivos é a ocorrência do primeiro crescimento mundial intenso nos últimos 30 anos, o que eleva a demanda.

Os produtores brasileiros estão recebendo também ajuda da crescente demanda por biocombustíveis. Só os EUA já consomem 80 milhões de toneladas de milho para a produção de álcool, enquanto a Europa está adotando o trigo como uma das matérias-primas para produzir biocombustível. Isso gera demanda, eleva preços e dá melhores condições ao setor rural, na avaliação do ministro.

A agricultura passa a ter um outro patamar para o futuro, diz Stephanes. Ele destaca que, nos últimos 30 anos, os preços agrícolas sempre foram declinantes, mas é possível que daqui para a frente haja uma curva inversa porque a demanda estará aquecida.