Sudoeste quer retomar cultura do algodão
A inspiração para a revitalização da cultura do algodão na região sudoeste do estado está vindo de outras duas regiões baianas: o oeste, hoje responsável por 90% da produção, e o sul, onde a recuperação econômica está calcada na diversificação das culturas, para afastar o fantasma da vassoura-de-bruxa que aterrorizou a região cacaueira. O processo de recuperação está envolvendo tanto o setor público (federal, estadual e municipal) quanto os produtores, que já compreenderam que a monocultura é prejudicial mas querem retomar o cultivo do algodão, que já ocupou 330 mil hectares na região e hoje está em torno de quatro mil hectares.
A primeira ação emergencial, fruto do seminário Desafio da Cadeia Produtiva do Algodão, realizados este mês em Guanambi, será o envio de máquinas, pelo governo estadual, para melhorar as condições do solo para o próximo plantio, que deve acontecer até o início de dezembro para assegurar a safra. O Fórum de Trabalho instalado para viabilizar o plano de recuperação estima em R$3,5 milhões o investimento necessário para as ações mais imediatas.
Entre as metas está a melhoria da produtividade, que oscila de 80 a 120 arrobas por hectare, tentando aproximar da margem de 180 arrobas por hectare conseguida no oeste. A nova região produtora já conta com 302 mil hectares plantados, colocando o estado na segunda posição no ranking nacional, com uma produção anual de um milhão de tonelada de algodão de caroço – o sudoeste contribui com apenas 27 mil tone-ladas. A crise da lavoura algodoeira do sudoeste começou no início da década de 90, quando a região liderava a produção.
Os agentes financeiros – Banco do Nordeste e Banco do Brasil – estão renegociando as dívidas dos produtores inadimplentes, a maioria deles ligada à agricultura familiar, para que possam estar aptos a usufruir dos benefícios do Plano de Desenvolvimento da Lavoura do Algodão, que está sendo traçado e prevê medidas a médio prazo.