Decoração ecologicamente correta

29/08/2007

Decoração ecologicamente correta


E não é só a construção civil que está adotando um padrão verde nas obras. Decoradores e paisagistas já entraram também na promoção da sustentabilidade, provocando mudanças radicais até em padrões de comportamento social. Do período da colonização até bem poucos anos atrás, ter em casa e mostrar com orgulho aos visitantes os móveis feitos com madeira maciça como jacarandá e sucupira era sinônimo de status. Quem nunca presenciou os avós e até mesmo os pais nessa cena? Mas atualmente, com a onda verde em alta e o maior controle da derrubada de matas nativas, a situação se inverteu. O luxo é ter em casa um mobiliário ecologicamente correto. Um pedacinho da natureza conservada.

Para atender a esta nova e crescente demanda, várias indústrias e lojas de móveis passaram a utilizar madeira de eucalipto em plantio 100% renovável, o lyptus, como matéria-prima de seus produtos. A árvore foi trazida da Austrália na segunda metade do século XIX e adaptou-se ao clima e aos solos do país. O lyptus é um tipo de eucalipto adequado à fabricação de móveis, janelas, pisos e acabamentos de interiores. Considerada uma madeira nobre, é obtida a partir do melhoramento de outras variedades do eucalipto.

Além do lyptus, a indústria moveleira tem usado também em larga escala a madeira de demolição aqueles restos que normalmente são queimados ou jogados fora, para a fabricação das peças. "É uma tendência cada vez mais forte entre os designers e decoradores. Hoje essa preocupação é fundamental", acredita a gerente da Casa Kaiada, Rita Sampaio.

Na linha do ecodesign, novos produtos vêm sendo desenvolvidos com foco na ecoeficiência, que se traduz em qualidade e durabilidade, reutilização e reaproveitamento em todo o seu ciclo de vida, desde a extração da matéria-prima até a eliminação dos seus resíduos.

O bambu tem sido também bastante usado atualmente por decoradores em revestimentos de paredes, em luminárias e peças para móveis. Pode servir também como biombo para a separação de ambientes e como moldura de quadros. Em um ambiente externo, ele é uma boa pedida para portões, muros e cercas.

Em Salvador, a Casa Kaiada adotou o conceito de ecodesign há pouco mais de um ano. A loja utiliza tanto o lyptus quando o bambu como matérias-primas do mobiliário e dos objetos de decoração. Peças como aparadores, mesas e bancos são feitas exclusivamente com o eucalipto certificado.

Outras peças ecologicamente corretas são os puffs-pirâmide feitos em lâmina de coco, mesinhas de centro em pastilha de coco de babaçu e tampos de mesa. Para a produção de objetos de artesanato são usados materiais como fibra de bananeira e pigmentos da terra. Entre as peças estão pratos feitos da matériaprima descartada da colheita de banana e de saco de cimento (papel Kraft) reciclado.