Evo diz que combater a aftosa é problema da iniciativa privada

29/08/2007

Evo diz que combater a aftosa é problema da iniciativa privada

O governo brasileiro começa a se preocupar com a atitude do presidente da Bolívia, Evo Morales. Segundo declarações feitas à imprensa, seu governo não vai dar prioridade ao combate à febre aftosa e quer transferir. o problema para a iniciativa privada, disse o secretá110 de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Célio Porto.

O Ministério ,da Agricultura não recebeu a informação oficial do presidente boliviano, mas nos últimos dias, Evo Morales vem afirmando na imprensa local que a responsabilidade de combater a febre afiosa é da iniciativa privada. "Isso é um problema porque todos os acordos que existem no bloco para essa questão são de (responsabilidade) do governo", disse Porto. A reportagem procurou ontem a embaixada do governo da Bolívia no Brasil.

A assessoria de imprensa do órgão informou que desconhecia tal informação e que só poderia se pronunciar caso a solicitação por informações fosse feita pelo governo brasileiro. A atitude do país vizinho pode complicar o relacionamento entre os países do Cone Sul, que têm um acordo comum no combate à doença, e intensificar os problemas sanitários do Brasil, uma vez que Mato Grosso e Rondônia, grandes produtores de bovinos, fazem fronteira com a Bolívia.

Além disso, o País terá que gastar entre R$ 7 milhões e R$ 8 .milhões anuais para reforçar a vigilância sanitária nos estados que fazemftonteira com o vizinho, segundo estimou o presidente do Conselho de Pecuária de Corte, Sebastião Guedes. "Isso gera prejuízo ao Brasil que tem de investir recursos para desenvolver ações de prevenção", disse Guedes. Diante da atitude do governo da Bolívia, o quadro sanitário do Brasil pode piorar. Na Bolívia, a ocorrência de febre aftosa no rebanho tem se agravado nos últimos, anos, segundo Guedes, porque a estrutura do governo em relação à vigilância sanitária "deixa a desejar". "Eles mudaram toda a estrutura de defesa sanitária deles, e isso é uma preocupação", reforça.

Hoje o Brasil ainda possui embargo de países, como União Européia e Chile, por conta de focos da doença que oC()1Teram há cerca de dois anos. Aíltitude de Evo Morales é um dos principais itens da pauta da reuniãodeministros em Santiago (Chile) quinta e sexta-feira desta semana. O encontro vai reunir todos os representantes dos países do Cone Sul, conhecido como Mercosul Ampliado, que inclui também a Bolívia e o Chile. "A idéia é ver como os vizinhos podem ajudar a Bolívia", disse o secretálio, que vai representar o ministro Reinhold Stephafies no encontro. Essa é a primeira reunião de ministros do Cone Sul desde que Stephanes assumiu a pasta.

VIVIANE MONTEIRO E FABIANA BATISTA