Ministério da Agricultura critica modo de produção, mas minimiza o caso
Segundo informações do Ministério da Agricultura, a contaminação da polpa pelo barbeiro está centrada na produção rudimentar do açaí, realizada sem higiene e sem fiscalização. Os produtores estão colhendo o fruto pela noite, e o uso de lanternas atrai mais insetos, que acabam sendo triturados junto. Como, após a trituração, passa-se a polpa em uma peneira, muitos deles acreditam que não há risco de transmissão de doenças.
As empresas autorizadas e fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura, até o momento, não apresentaram nenhum caso de contaminação. Sobre o transporte do açaí para outros Estados, o ministério também não registrou nenhum problema.O risco estaria em a produção contaminada ser comercializada por transportes ilegais para fora do Estado do Pará.
Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), não foi registrado caso de contaminação na Bahia. A SMS, no entanto, adverte que os consumidores devem observar sempre a procedência do açaí e se o estabelecimento está devidamente registrado. As fiscalizações continuam sendo regularmente realizadas, mas sem nenhuma ação específica para as lanchonetes de açaí. Ivana Emília Dourado,advogada, não pretende parar de consumir o produto, já que não há registros de casos no Estado.
Ela também não acredita que a contaminação pela trituração do barbeiro com a polpa seja tão fácil, já que sabe que o contágio se dá normalmente pelas fezes do inseto. Já Fernando Barreto, professor de biologia, diz que costumava consumir o produto todos os dias. Depois que soube de alguns casos de contágio, diminuiu consideravelmente o consumo.
“Hoje, só tomo uma vez a cada 15 dias”, diz Barreto. Ele também afirma que, caso saiba de qualquer caso de contaminação da doença de Chagas por ingerir açaí na Bahia, no mesmo momento vai parar de tomar o produto. “Eu preciso das mínimas garantias para continuar tomando as tigelas de açaí”, salienta o consumidor.
LUCIANA REBOUÇAS