Variedades de cebola testadas com sucesso no Vale do São Francisco

30/08/2007

Variedades de cebola testadas com sucesso no Vale do São Francisco
  

Desenvolver variedades de cebola adaptadas às condições climáticas do Vale do São Francisco, que possibilitem ao agricultor familiar plantar e obter uma maior produtividade e assim aumentar a renda de sua família. Este é o propósito dos campos de avaliação de cebola, implantados naquela região, dentro do projeto de desenvolvimento de populações, cultivares e híbridos de cebola de cor roxa, amarela e cascuda para o Nordeste brasileiro.
Executados pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretaria da Agricultura, em parceria com Embrapa Semi-Árido, os campos já foram instalados em Sento Sé e Sobradinho e estão em fase de implantação em Curaçá e Juazeiro, todos em áreas de produtores de cebola.
O comportamento de dois cultivares disponibilizados pela Embrapa e Instituto Pernambucano de Pesquisa Agropecuária (IPA), Alfa São Francisco e Brisa IPA – 12, respectivamente, foi avaliado pela EBDA, durante todo o ano de 2006, na Unidade Estadual de Pesquisa, em Juazeiro, comparando-os com a IPA – 11, variedade tradicionalmente cultivada pelos produtores do Vale. Nessas avaliações, a Alfa apresenta maior quantidade de bulbos comerciais (formação de cabeças arredondadas propícias para comercialização). Entretanto, não foram observadas diferenciações, no que se refere a produtividade, entre a IPA 11 e a Alfa São Francisco, que ficaram em torno de 23 toneladas por hectare. 
De acordo com o técnico da empresa, George Bandeira, a IPA 11, uma cebola tradicionalmente plantada na região e conhecida pela maioria dos agricultores familiares, é recomendada principalmente para o primeiro semestre, pois tem problemas de bulbificação (cebolas com formatos irregulares), em decorrência das altas temperaturas que ocorrem no segundo semestre.
Já a Alfa São Francisco mostrou-se mais adaptada e com boa produtividade para o período quente. “O nosso objetivo é mostrar ao agricultor mais uma alternativa de variedade de cebola, principalmente para o segundo semestre, para que tenha boa produtividade durante todo o ano”.
A 6 quilômetros de Sobradinho, na propriedade de João Games da Silva, 39 anos, as variedades Alfa São Francisco e IPA 11, com 20 dias de plantadas, estão em fase inicial de germinação e vão ser comparadas quanto ao tamanho, bulbo e produtividade. “Estamos precisando mesmo de novas variedades para o segundo semestre, quando o clima é mais quente e costumamos perder muita cebola. Vamos nos adaptar a plantar cada variedade em seu tempo, para podermos aumentar a nossa renda”, disse João.
 


Regiões produtoras

Na Bahia, são três regiões produtoras de cebola: a do Vale do São Francisco, que se estende de Xique-Xique até Curaçá; a de Irecê, que embora faça parte do Vale tem uma característica isolada, a cebola é plantada no sistema direto mecanizado, irrigado por aspersão, principalmente por pivô central e a água é de poços tubulares.
A região de Irecê planta atualmente 500 hectares de cebola, tendo longa tradição de cultivo. Mucugê é o outro município produtor. Localizado na Chapada Diamantina, produz cebolas híbridas, com alta produtividade e alto nível tecnológico. No município, o plantio é feito em duas grandes fazendas com uma área total de 500 hectares de exploração.
Os municípios de Santo Sé e Casa Nova são os maiores produtores de cebola da Bahia com 1,5 mil hectares e 1,3 mil hectares, respectivamente. O Vale São Francisco chega a plantar cinco mil hectares de cebola, beneficiando diretamente 6 mil agricultores. 
  
Comercialização
 
A comercialização de cebola no Vale do São Francisco, de acordo com o técnico George Bandeira, é uma preocupação, mas a empresa orienta os agricultores quanto ao tempo de plantar e colher, para que se obtenha uma venda com sucesso. Ele também ressalta que é durante o Seminário Nacional de Cebola, que acontece anualmente entre março e abril, que se tem uma previsão de safra para todo o período. Assim que os técnicos retornam do seminário realizam reuniões nas unidades de produtores para passarem as informações sobre as perspectivas da oferta do produto durante todo o ano.
No segundo semestre, a maior oferta de cebola no mercado é do estado de São Paulo, que consome quase 50% de toda a cebola produzida no Brasil. Se, no Vale, o produtor optar por produzir cebola no segundo semestre, a orientação dos técnicos é que o agricultor diminua a área plantada, evitando assim o choque de produção com os estados do Sudeste.
“O ideal é que a colheita seja programada aqui, na região do semi-árido, para acontecer até o mês de julho. Nos meses seguintes diminuímos a oferta, para que os agricultores tenham uma comercialização de sucesso”, explicou George.
Ultimamente, alguns produtores, em decorrência desse processo de conscientização sobre oferta de cebola, já estão retraindo mais o plantio do segundo semestre. “Pelas orientações dos técnicos, percebo que, se me adequar a esta mudança, tenho a área reduzida, mas, em compensação, uma produtividade e remuneração adequadas à oferta, e atendendo ao mercado” afirmou João Silva, agricultor de Sobradinho.

A cultura
 
A cebola começou a ser produzida no Vale do São Francisco na década de 50. Com solo e clima favoráveis, a cultura se expandiu por todo o Vale, atraindo pesquisadores e melhoristas genéticos de outros países, como os Estados Unidos. Com o desenvolvimento da região e a chegada da Codevasf e da Embrapa, novas variedades foram sendo desenvolvidas. 
O IPA também contribui para essa expansão, tanto que, no Nordeste, 95% das variedades cultivadas hoje são originárias do Instituto. A EBDA, enquanto empresa de pesquisa e extensão, contribui no desenvolvimento da cultura na região, através de trabalhos de pesquisa, isoladamente ou em conjunto com as diversas entidades parceiras, capacitando e assistindo os cebolicultores nos diversos municípios produtores.


30/08/2007
Asimp – EBDA
3116-1910/1803