Fischer Boel desvincula alta de alimento de biocombustível
A comissária de agricultura da União Européia (UE), Marian Fischer Boel, refutou ontem queixas de que a alta de preços de alimentos no mercado internacional seria provocada pelo aumento da produção de biocombustíveis, como etanol e biodiesel.
Os aumentos de preços têm sido espetaculares na Europa e EUA, principalmente. Em um ano, a tonelada de leite em pó subiu 80%, a manteiga industrial 50%, e a tonelada de trigo, 107%. Além disso, o preço elevado do milho (usado nos EUA para produção de etanol ) reduziu a produção de tortilla no México, causando protestos populares.
Para associações de consumidores e de defesa ambiental, essas altas resultam de subvenções concedidas a matérias-primas renováveis usadas na produção de biocombustiveis. Alguns vizinhos do Brasil usam o mesmo argumento para atacar a diplomacia do etanol do governo Lula.
Mas em texto publicado em seu blog na internet, distribuído com antecedência a jornalistas, a comissária atribui aos biocombustíveis um papel "marginal" nessa alta. Para ela, a principal razão para o aumento dos preços é a menor produção em várias regiões do mundo, o clima ruim na Europa e crescente demanda da China e outros países asiáticos.
"É a economia, estúpido", escreve a comissária no blog que mistura textos e fotos dela, onde detalha sua visão que pode ser bem diferente da de outros comissários da UE. "Os aumentos de preços são não mais ou menos que o mercado em ação, precisamente o que queremos da agricultura européia em 2007".
Ao mesmo tempo, a comissária européia destaca sua preocupação com o maior custo para produtores de carnes no curto e médio prazo. "Produtores de suínos e de frango em todo o mundo estão sendo afetados pela alta de preços de cereais, mesmo nos competidores de baixo custo como o Brasil", escreve. "Isso conduzirá a ajustamentos nos preços mundiais de carnes".
Nesse cenário, a comissária insiste que a agricultura na Europa está melhorando sua competitividade e exporta cada vez mais sem subsídios - "e essa é uma boa notícia mesmo". E conclama os europeus a pagarem um pouco mais por produtos europeus, que, segundo ela, teriam mais qualidade e atenção o ao bem-estar animal e ambiental. "Vale a pena pagar por isso", conclui.
ASSIS MOREIRA