Carne clandestina é risco à saúde

03/09/2007

Carne clandestina é risco à saúde


 

A produção e o comércio de carne e outros produtos de origem animal são regidos por especificações técnicas e sanitárias previstas na Lei Federal nº 1.283, de 1950. De um lado, estão as rígidas normas que tratam do abate, conservação e transporte destes produtos.

Do outro, a cultura do abate em condições precárias de higiene e limpeza nos currais de municípios do interior e da Região Metropolitana de Salvador.

Depois de abatida, a carne é transportada para ser vendida em feiras livres no interior e em vários bairros da capital. Este ano, oMinistério Público, a Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp) e a PolíciaMilitar fizeram duas blitze em feiras livres da capital. Na primeira fiscalização, cerca de 1,3 mil quilos de carne clandestina foram apreendidos.

Quinze dias depois, os fiscais recolheram outros 1,8 mil quilos em feiras nos bairros de Cosme de Farias e Itapuã.

“Pretendemos intensificar as ações e cobrir toda a cidade. O comércio de carne nas ruas é proibido, mas é uma questão cultural. A qualidade desses produtos é comprometida.

Ainda se abate carne em currais imundos, e as vísceras são lançadas aos rios. Depois, sem qualquer higiene, esta carne é transportada para os centros dos municípios e para a capital”, disse Railda Suzart, promotora de justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Consumidor ( Ceacon).

INSPEÇÃO – Por lei, toda a carne e produtos derivados comercializados no Brasil devem ser inspecionados e ter o carimbo dos serviços de inspeção federal (SIF), estadual (SIE) ou municipal (SIM). Na Bahia, não há serviços de inspeção municipais.

As vigilâncias sanitárias fazem a fiscalização do abate e do varejo; a Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Adab) fiscaliza o transpor te.

Altamente perecível, a carne não pode ficar exposta, muito menos na superfície porosa dos balcões de madeira, onde geralmente é vendida. “As carnes devem ser transportadas em câmaras frias.

No estabelecimento comercial, o freezer não pode ser desligado.

Desde 2003, o Ministério Público tem parceria com a Adab para reprimir a venda em feiras livres. No calor, não há possibilidade de manter as condições necessárias de conservação”, explicou a promotora Railda Suzart.

A intenção é acabar com as casas de abate mantidas por prefeituras do interior e os matadouros irregulares. Para tanto, o Ministério Público está em negociação com os gestores municipais.

“Às vezes, o município não tem qualquer tradição em indústria de carne e tem casa de abate para funcionar um dia na semana e matar dez bois, por exemplo. A proposta é regionalizar o abate.

Assim, vai haver maior controle de saúde”, disse a promotora. SAÚDE – Salvador sofre os reflexos da clandestinidade do comércio de carne. Na última blitz, um homem foi preso por reincidência.

Ele fazia o abate no interior, transportava e vendia o produto no bairro de Cosme de Farias. Além de evitar a compra de carne em feiras, sem condições de higiene e refrigeração, o consumidor deve exigir o carimbo da inspeção e a nota fiscal da compra da carne pelo comerciante na indústria.

A carne estragada pode transmitir diversas moléstias, entre elas, a tuberculose. A bióloga Cristina Passos, chefe do setor de estabelecimentos e produtos de interesse à saúde da Vigilância Sanitária do município, ressalta que o consumidor deve ficar bastante atento na compra e certificar-se da origem. Observar também se os funcionários usam roupas adequadas para manipular os produtos. “Na fiscalização, exigimos o alvará de saúde do estabelecimento, que deve ficar em local visível pelo consumidor. Por questões estruturais, só conseguimos atender a menos da metade das denúncias”, revelou Cristina.

ser viço Veja o que está comprando Observe se a carne está com aspecto saudável, com a cor vermelha característica, sem pontos arroxeados, e se os funcionários do açougue usam gorro, máscara, luvas, guarda-pó Os azulejos em todas as paredes do estabelecimento devem ser de cor clara para que a sujeira seja identificada A Vigilância Sanitária recebe denúncias pelo 3186-1100 ou na Ladeira dos Aflitos, n º 58, de segunda a sexta, das 14 às 18 horas