Por que preservar matéria orgânica

03/09/2007

Por que preservar matéria orgânica

 

O consultor em Plantio Direto e em Integração Lavoura-Pecuária, Márcio Scaléa, explica que o enfoque dado, no passado, à eliminação das operações de preparo do solo era o seu efeito nas propriedades físicas do solo, afetando estrutura, porosidade e capacidade de infiltração da água das chuvas, desembocando no problema maior, a erosão.

Segundo Scaléa, o grande argumento para parar de preparar o solo era o controle da erosão, o que continua válido hoje, mas suplantado em importância por dois outros aspectos: destruição da matéria orgânica e a conseqüente liberação de CO2 para a atmosfera.

"Hoje é imperioso preservar a matéria orgânica, principal fator de produção desse solo. Calcário e adubo, havendo a decisão e o capital para a compra, podem ser adicionados às toneladas a qualquer solo. Matéria orgânica não se compra, ela é muito fácil de ser perdida, mas é reposta com dificuldade, principalmente nos solos tropicais do cerrado", diz.

No caso do uso de herbicidas dessecantes, este fundamento, no passado, assinala o consultor, era uma conseqüência do ato de parar de preparar o solo. “Sem preparo, o mato se instalava e precisava do dessecante para ser eliminado. O grande argumento, como acima, era parar de preparar o solo”, diz.

HERBICIDAS – O enfoque dado hoje é que o convívio com as plantas daninhas no Plantio Direto está inserido numa série de atividades, das quais o uso de herbicidas é apenas um item, geralmente o último a ser considerado, explica Scaléa, consultor em PD.

“Procura-se evitar problemas com o mato através de práticas como a rotação de culturas, a produção de palhadas, a integração com atividades como a pecuária, o manejo mecânico e mesmo métodos alternativos, como a sobre-semeadura de culturas para a produção de massa”, destaca.