Praga ameaça pastagens na microrregião de Itapetinga

03/09/2007

Praga ameaça pastagens na microrregião de Itapetinga

 

Uma infestação descontrolada do capim moirão – ou capim capeta – na microrregião de Itapetinga, a 560 km de Salvador, está devastando pastagens, interferindo no sistema de produção animal e comprometendo a pecuária na maior bacia leiteira do Norte e Nordeste.

Em algumas propriedades, o índice de infestação da praga é de até 50%, podendo chegar a 60% devido à rápida propagação e à falta de controle em boa parte das fazendas.

A praga pode ter chegado à região há dez anos, favorecida pelo processo acelerado de degradação das áreas de pastagens, com solos rasos e mal conduzidos.

A baixa fertilidade do solo também facilita a expansão da praga, associada ao transporte de semente e à locomoção do gado. Ninguém escapa da culpabilidade, nem mesmo a comunidade técnica – os próprios pesquisadores estão inclusos.

“Somos responsáveis pela falta de assistência técnica mais fechada, acompanhando mais o produtor, que, por sua vez, deveria acreditar mais em nossa comunidade técnica e nos procurar”. A observação é feita pelo pesquisador Carlos Alberto de Miranda Peixoto, professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), campus de Itapetinga, que conduz os estudos na região há seis meses.

PASTANGENS – Até pouco tempo, a predominância de pastagens era do gênero Panicum maximum, ao qual pertence o capim colonião.

Com o surgimento, em 1970, das brachiarias, houve contribuição para o sistema alimentar do gado na região. Agora, ambas estão ameaçadas com a possibilidade de alelopatia.

“Essas plantas podem estar emitindo, por meio do sistema radicular, substâncias químicas que impedem o surgimento da gramínea ou forrageira de interesse”, afirma o professor.

A alelopatia é “a capacidade de as plantas, superiores ou inferiores, produzirem substâncias químicas que, liberadas no ambiente de outras, influenciam de forma favorável ou desfavorável o seu desenvolvimento”, diz Molisch.

Um deles é a certeza de que a praga não é o temido capim anonni (Eragrostis plana), que entrou no Brasil pelo Sul do País, em 1950.

A investigação sobre a propagação da gramínea é feita em conjunto com unidades da Embrapa de clima semiaacute;rido do Nordeste e de clima temperado do Sul do País.

As análises feitas pelos laboratórios da Embrapa desfizeram o mito, apontando para o gênero Sporololus indicus. “Os riscos, no entanto, não são menores para a pecuária baiana pois o capim moirão é outra espécie invasora, infestante, muito complexa, que atua na região com grande risco para o pasto e o gado”, adverte.

Foram visitadas propriedades com infestações que chegam até a 50% de sua área e isso, segundo avalia o pesquisador, gera um desequilíbrio sem precedentes na história da pecuária regional.

“É um caso muito drástico, muito perigoso para o sistema produtivo da região de Itapetinga”.

Carlos Alberto traduz seu temor em fatos reais. Diz que, uma vez implantada, a praga domina e não deixa que outras espécies como a brachiaria ou mesmo o colonião se sobressaiam. “Mas tudo tem uma saída. Estamos trabalhando para reverter este quadro”, diz.