Publicação do bnb faz diagnóstico sobre a fruticultura nordestina
Pesquisa revela potencial e vulnerabilidades da Região que pode se tornar uma das mais competitivas do mundo no segmento
A vocação natural do Nordeste para a fruticultura e os resultados modestos obtidos com a atividade são uma contradição que tem chamado cada vez mais a atenção de pesquisadores, empresários, produtores rurais, bem como de instituições públicas e privadas interessadas no desenvolvimento do agronegócio. A despeito das condições climáticas favoráveis, solos apropriados e água com qualidade para irrigação, muitas áreas destinadas ao cultivo de frutas apresentam baixas produção e produtividade, além de dificuldades de comercialização.
Estas adversidades levaram o BNB, por meio do seu Escritório Técnico de Estudos Econômicos (Etene), a realizar estudos minuciosos sobre a fruticultura na Região. Os resultados desta pesquisa podem ser conferidos no livro "Fruticultura Nordestina: Desempenho Recente e Possibilidades de Políticas", lançada pelo Banco recentemente.
A publicação de 302 páginas faz um diagnóstico sobre as principais áreas frutíferas do Nordeste brasileiro, mostrando pontos fortes e fracos de culturas como abacaxi, acerola, banana, caju, coco, goiaba, laranja, limão, mamão, manga, maracujá, melão e uva. O estudo é de autoria dos pesquisadores José Ailton dos Santos, Francisco Raimundo Evangelista, Maria Odete Alves, Marcos Antônio dos Santos e Inácio José Bessa Pires, e tem no seu campo de amostragem fruticultores nordestinos, a maioria clientes do BNB, divididos em três categorias distintas de acordo com o desempenho, quais sejam: abaixo do esperado, intermediário e acima do esperado.
Segundo o superintendente do Etene, José Sydrião Alencar, "os pesquisadores partiram da premissa de que a fruticultura é uma das atividades econômicas
estratégicas capazes de responder aos investimentos públicos e privados através da geração de renda e emprego estáveis no meio rural". Ele ressalta que as sugestões de políticas e as considerações finais da publicação "extrapolam o âmbito do BNB, uma vez que interessam aos demais elos do agronegócio das frutas do Nordeste, os quais devem ser focados na formulação de parcerias".
Fraquezas e forças
O livro qualifica o Nordeste como uma das poucas regiões do mundo com vantagens competitivas para elevar as exportações de frutas tropicais in natura para a Europa, Estados Unidos e Ásia, no período de outubro a abril, meses em que a oferta dospaíses do Hemisfério Norte é interrompida pelo inverno.
Entre as vantagens do desenvolvimento da atividade na Região, a pesquisa ressalta o elevado índice de geração de empregos (de até cinco oportunidades de trabalho por hectare), a possibilidade de oferta de frutas em qualquer época do ano, e as condições ambientais, que propiciam a produção de frutas frescas de qualidade, com alto teor de sacorose. Fatores como baixa qualidade de assistência técnica, escassez de investimentos em pesquisa e tecnologia, desconhecimento do mercado e deficiências nas organizações associativas são entraves importantes, que, de acordo com a publicação, podem ser sanados com parcerias entre poder público e a iniciativa privada.
Os autores destacam como ações relevantes a serem implementadas o estímulo à agroindustrialização das frutas, o investimento em qualificação profissional, a adoção de novas tecnologias para elevação da produtividade e a ação integrada junto a entidades como a Organização Mundial do Comércio, com vistas a reduzir o efeito de medidas protecionistas de países consumidores.
Financiamentos
O bom relacionamento com instituições financeiros é um dos pontos a favor dos produtores rurais, que por meio de financiamentos podem investir na produção e obter melhores resultados. Nesse contexto, o livro traz um apanhado das aplicações do BNB no segmento, por Estado e por cultura desenvolvida, com posição de dezembro de 2003. Com 89 mil operações ativas, representando um saldo líquido de R$ 1,7 bilhão, a fruticultura aparece com a segunda atividade agropecuária mais beneficiada com recursos do Banco, superada apenas pela bovinocultura.