Vacinação: o que escolher
Com a chegada dos períodos de estiagem, o pecuarista aproveita a movimentação do gado para a vacinação contra febre aftosa e faz aplicações contra parasitos internos e externos.
Nessa hora, ele normalmente enfrenta um grande dilema: qual endectocida (medicamento que controla parasitos internos e externos) escolher, pois há mais de 80 opções no mercado, e cada uma com diferentes formulações, o que pode redundar em diferenças na eficácia e no período de persistência de controle dos parasitos e preços, que variam de R$ 30 a R$ 250 por frasco de meio litro ou até perto de R$ 500 por frasco de um litro.
Infelizmente, no campo, há um certo desconhecimento das diferenças entre os diversos produtos e também não há uma noção clara da importância dos mesmos para o alcance de índices zootécnicos mais lucrativos. A principal causa dessa confusão é a falta de esclarecimento sobre as diferenças dos processos de fabricação de cada um.
Um mesmo endectocida pode ser fabricado a partir de diferentes matérias-primas, obtidas em vários locais do mundo. Assim, os fabricantes utilizam diferentes métodos de fabricação, que conferem ao produto final variações na qualidade e no preço.
Dessa forma, os produtos podem possuir diferentes graus de eficácia e persistência de controle, ou seja, capacidades variadas de se manterem ativos por longos períodos de tempo, efetivamente eliminando parasitos. Isso não só por diferenças nos processos de fabricação de princípios ativos, mas dos adjuvantes adicionados e da formulação final.
Um endectocida de longa ação é obtido a partir de uma formulação muito bem equilibrada, o que demanda estudos, investimentos em tecnologias e em controle qualitativo de matérias-primas.
Sem essa preocupação em mente – que, aliás, trata-se de assunto de grande interesse das indústrias veterinárias de ponta –, é muito difícil obter liberação controlada de princípio ativo pelo período desejado.
Se os produtos não são iguais, a escolha deve se pautar pela melhor relação custo-benefício.
Um experimento foi realizado em Itambé do Mato Dentro (MG), entre 2001 e 2004.
A avaliação comparativa envolveu dois dos principais endectocidas contra parasitos internos externos: Ivermectina Merial 3,15% e Doramectina 1%.
As drogas foram ministradas em novilhos Nelore, não castrados, com idade entre 12 e 15 meses, no início do estudo, e os animais foram avaliados até o abate. Um lote de controle foi utilizado para análises comparativas. No total, foram utilizados 90 animais, que receberam cinco tratamentos estratégicos de cada produto.
O resultado foi o seguinte: o ganho de peso médio dos animais tratados com Ivermectina Merial foi de 268,20 kg, contra 247,80 kg, com Doramectina e 219 kg, registrados pelo lote controle. O peso vivo médio dos animais levados ao abate técnico ao final dos testes foi de 504 kg para os animais tratados com Ivermectina Merial, 481,3 kg para animais tratados com Doramectina e 446,9 kg para o lote controle.
O teste também levou em conta o custo do tratamento sanitário para determinar a melhor relação investimentos X benefícios. O tratamento à base de Doramectina custou R$ 8,70 por animal do lote tratado com este princípio ativo, o à base de Ivermectina Merial 3,15%, R$ 16,20/cabeça, e no lote de controle, que necessitou de controle ectoparasiticida no período, totalizando sete tratamentos, o custo médio foi de R$ 2,10/cabeça.
A conclusão foi a seguinte: no abate técnico, o rendimento de caracaças foi de 56,5% para o lote tratado com Ivermectina Merial 3,15%; 55,1% para o tratado com Doramectina 1% e 52,4% para o lote controle. Ao do término do estudo, a arroba do boi estava cotada a R$ 54. Após considerar os custos dos tratamentos, a utilização de Ivermectina Merial se revelou mais vantajosa para o pecuarista.
O lucro líquido por animal totalizou R$ 529,20, contra R$ 482,70 do lote tratado com Doramectina e R$ 412,20 do lote de controle, considerando-se os dados de ganho médio de peso vivo e o rendimento de carcaças dos animais no abate técnico.
A diferença no lucro líquido, considerando-se os tratamentos antiparasitários, foi de +R$ 46,50 por animal tratado com Ivermectina Merial 3,25% quando comparados aos tratados com Doramectina 1% e de +R$117,00 por animal, quando comparados aos lote controle.
Marcos Malacco| é médico veterinário