Plantar florestas é um bom negócio
Não se pode imaginar que o plantio de florestas seja um tema romântico; tem que dar lucro, ser um negócio positivo
O MINISTÉRIO do Meio Ambiente anunciou há poucos dias uma significativa redução do desmatamento da Amazônia no último ano e uma expectativa de crescente controle oficial nessa área. Trata-se de uma importante e alvissareira notícia, seja pelo fato em si, seja pelas conseqüências positivas que ele traz para o comércio internacional de produtos agrícolas.
Nossos concorrentes, que vão perdendo mercados graças à alta eficiência competitiva dos agropecuaristas brasileiros, vivem inventando argumentos para cortar nossos mercados. Entre esses argumentos, sempre ganha força a hipotética "devastação da floresta tropical".
No entanto, há outro fato ainda mais relevante para o país, que é o espetacular crescimento do plantio de florestas novas. Por trás desse avanço, está uma poderosa estrutura de geração de tecnologia, liderada pela Embrapa Florestas, sediada em Colombo (PR) e que trabalha articulada com outras várias instituições, inclusive ligadas a universidades. Os trabalhos, centrados em eucaliptos e pínus, vêm avançando para outras espécies, como a acácia negra, a teca, a araucária, a seringueira e espécies nativas, sempre com o apoio do Ibama e de empresas privadas.
A verdade é que há uma crescente demanda interna e externa por produtos que vêm de floresta, como celulose e papel, siderurgia, construção civil, movelaria, carvão vegetal, e agora vem o álcool de celulose, além de produtos fitoterápicos e medicinais. Portanto, ao mesmo tempo em que se reduz o abate das matas nativas, é essencial implementar as florestas plantadas, para atender a essa demanda. E o Brasil, por sua extensão territorial e seu clima, forçosamente tem que ocupar um espaço relevante no mundo nessa área.
Por outro lado, não se pode imaginar que o plantio de florestas seja um tema romântico, voltado apenas à sustentabilidade ambiental ou à beleza natural. Tem que dar lucro, deve ser um negócio positivo, para atrair a atenção de agricultores como uma boa alternativa à atividade rural.
Isso vem acontecendo, graças a esse mercado crescente.
Em 2006, foram plantados mais 131 mil hectares de florestas em todo o país, além da reforma dos outros 500 mil hectares. E isso vem acontecendo em todas as regiões. Minas Gerais é o maior Estado produtor, com mais de 1,2 milhão de hectares de eucaliptos e pínus, seguido de São Paulo, com 970 mil hectares, Paraná, com 808 mil, Santa Catarina, com 600 mil, Bahia, com 594 mil, e Rio Grande do Sul, com 370 mil.
Metade da demanda de produtos florestais (390 milhões de m33/ano) é atendida pelas florestas plantadas, equivalentes a 184 milhões de m3/ano, sendo 73% de eucaliptos e 27% de pínus. Dessa forma, o temido apagão florestal projetado há anos para o Brasil não é mais um problema: foi resolvido.
O Brasil já é hoje o 3º maior exportador mundial de celulose (atrás do Canadá e dos Estados Unidos), o 17º maior exportador mundial de papel, o 4º de madeira serrada e de compensados. E as vendas externas em 2006 de produtos de florestas plantadas foram de US$ 5,158 bilhões, 10% a mais que no ano anterior. A Sociedade Brasileira de Silvicultura informa que apenas o complexo soja e as carnes têm maior valor exportado que os derivados de madeira.
É, sem dúvida, um atraente setor, que muito crescerá ainda no Brasil, inclusive com o impulso de recursos que virão do CDM (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, na sigla em inglês)...