Área plantada de cana cresce 49% na Bahia

10/09/2007

Área plantada de cana cresce 49% na Bahia 

Incremento foi o maior do país, mas produção ainda não atende à demanda
  

A safra 2007/08 da cana-de-açúcar aponta para um quadro de expansão da cultura em todo o país, segundo levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). E o destaque ficou para a Bahia, com o maior incremento na área plantada (49%), embora ocupe apenas 105,3 mil hectares no território estadual. O balanço revelou que a área cultivada no Brasil cresceu 12,3% na comparação com o período anterior, saltando de 6,2 milhões para 6,9 milhões de hectares na safra atual, cujo processamento começou em abril.

A cultura canavieira na Bahia ainda está longe de atender à demanda do mercado local. A constatação é do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado, Carlos Gilberto Cavalcante Farias. Segundo o dirigente, em função do pouco alcance da atividade, existe hoje uma grande distância entre o volume consumido e o produzido no segmento baiano.

“Cerca de 30% da área agrícola baiana está situada na chamada zona da mata atlântica, onde essa cultura poderia crescer amparada nas chuvas. O problema é que nessa região a cana enfrenta a elevada concorrência das plantações de eucalipto, uma indústria muito mais forte que a do álcool e a do açúcar”, afirma.


De acordo com o dirigente, no sul da Bahia, a modalidade dispõe somente de 40 mil hectares _ área plantada que deve crescer cinco mil hectares este ano.

Como resultado dessa baixa participação, Farias explica que o estado só produziu no ano passado 27 milhões de litros de álcool hidratado, aquele utilizado nos carros flex, embora o consumo anual seja da ordem de 240 milhões de litros do produto, gerando assim um déficit de 213 milhões de litros. “Com relação ao anidro, são consumidos no território baiano 300 milhões de litros anualmente, mas apenas 65 milhões foram produzidos em 2006”, completa. Já em termos de açúcar, o estado consome 17 milhões de sacas de 50kg, mas a produção gira em torno de 2,5 milhões, com uma defasagem de 14,5 milhões de sacas.


O balanço mostra que a produção nacional irá atingir a marca de 547,2 milhões de toneladas, resultado 15,20% superior à colheita do ciclo anterior (474,8 milhões de toneladas). As usinas brasileiras deverão esmagar 86,47% da cana que será colhida, representando 473,16 milhões de toneladas. Desse montante, 46,9% vai para a produção de 30 milhões de toneladas de açúcar e 53,1% para a extração de 21,3 bilhões de litros de álcool _ sendo 8,6 bilhões para a fabricação de anidro (que é misturado à gasolina) e 12,7 bilhões de litros do hidratado, o mesmo usado nas bombas dos postos.